TRT testa sistema de monitoramento de desempenho e acende alerta sobre controle no teletrabalho

O TRT-SC iniciou a testagem de um sistema de monitoramento de desempenho no teletrabalho que acende um alerta importante: até que ponto a busca por produtividade pode se transformar em controle excessivo sobre servidores e servidoras?

O tema vem sendo acompanhado de perto pelo Sintrajusc, que participou de reunião do Subcomitê do Teletrabalho no dia 27 de março. Na ocasião, o coordenador do Sindicato, Adailton Pires Costa, propôs a realização de uma Audiência Pública para ampliar o debate sobre a iniciativa.
O sistema, desenvolvido pelo TRT-14 a partir de levantamento sobre ferramentas utilizadas em outros regionais, pretende padronizar o controle da produtividade no teletrabalho, estabelecendo comparações com o trabalho presencial. Entre os instrumentos monitorados estão sistemas institucionais como PJe, PROAD e SIGEP, além de ferramentas como Google Meet, e-mail corporativo, Google Drive e chats internos.
A implantação teve início em 6 de outubro de 2025, em caráter piloto, abrangendo unidades como a Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP), a SETIC, a 6ª Vara do Trabalho de Florianópolis e um gabinete vago. A proposta agora é expandir o modelo, inicialmente de forma experimental por três meses, antes de sua possível adoção em todo o Tribunal. Também está prevista a criação de um grupo de trabalho para aperfeiçoamento do sistema e definição de critérios de pontuação das atividades monitoradas.
Para o Sintrajusc, no entanto, a questão central não é tecnológica — é de modelo de gestão.
Há hoje setores em que o teletrabalho funciona bem, com formas próprias de acompanhamento de metas e resultados. A imposição de um sistema padronizado, de cima para baixo, desconsiderando essas realidades, pode representar um retrocesso. Mais do que isso, há o risco concreto de se instaurar um modelo de vigilância permanente, com impactos diretos na autonomia, na organização do trabalho e na saúde dos servidores.

“Big brother” corporativo

Na prática, um sistema dessa natureza pode se aproximar de um “big brother” corporativo, ampliando a pressão por desempenho e contribuindo para o aumento da carga de trabalho — que já é elevada em razão do déficit de pessoal. O problema, portanto, não é apenas medir produtividade, mas como, para quê e com quais consequências isso será feito.
O Sindicato alerta que qualquer mudança nesse campo precisa considerar as especificidades das unidades, respeitar as experiências já consolidadas e, sobretudo, evitar a intensificação de práticas que possam levar ao assédio ou à sobrecarga.
Diante desse cenário, o Sintrajusc defende a ampliação do debate com a categoria e reforça a importância de uma discussão transparente sobre os rumos da gestão do trabalho no Tribunal. A questão que se coloca é clara: o futuro do teletrabalho será pautado pela confiança e pelos resultados ou por mecanismos cada vez mais rígidos de controle?