Referendo e pressão popular são caminhos para aumentar democracia, diz sociólogo


Por Imprensa

As decisões dos governos podem ser mais democráticas com o uso do referendo popular e das pressões populares, defende o sociólogo e diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Cândido Grzybowski. “A democracia foi inventada em praça pública, não em parlamentos”, disse o sociólogo em entrevista à Agência Brasil.

Cândido Grzybowski considera que o referendo popular deve decidir projetos, e não criar representantes. “Portanto, é mais fundamental que a eleição”. O sociólogo sugere que as urnas eletrônicas sejam utilizadas para que a população opine sobre questões de seu interesse, como os transgênicos por exemplo. “Poderíamos dizer sim ou não, e não os parlamentares”, afirma.

O sociólogo cita ainda o referendo realizado no Uruguai para decidir sobre as políticas governamentais de água e saneamento. A votação ocorreu em outubro de 2004, em paralelo às eleições gerais. Os uruguaios, por meio da consulta, decidiram que a água é um recurso público e que os serviços de abastecimento e saneamento não podem ser privatizados.

Para o diretor do Ibase, a pressão popular também é importante para colocar questões na agenda do governo. Ele cita como exemplo o tema da reforma agrária que só recebe destaque por causa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Pressionar pela rua é o caminho”, defende. Em palestra realizada na Conferência Internacional Democracia: Participação Cidadã e Federalismo, realizada em Brasília, Grzybowski disse, no entanto, que atualmente metade da população não tem canais para praticar a cidadania.

Fonte: Agência Brasil
Matéria de Fabrício Ofugi