Economista demonstra: redução salarial tem impacto zero para o Estado e destrói vidas


O economista Washington Moura Lima, assessor econômico do Sintrajusc e do Sintrajud, explicou em live do Sintrajud. em detalhes, como não há nenhuma necessidade de corte salarial, nem no setor público e nem no setor privado, para enfrentar a pandemia do novo coronavírus.

Washington apresentou um resumo do estudo sobre o qual se debruçou no último período, em relação às destinações orçamentárias da União, comparativo dos investimentos que o Brasil e outros países têm feito para enfrentar a pandemia e como as tentativas de reduzir salários dos servidores não respondem às necessidades econômicas do país, mas a uma política.

O economista reforçou que, para entender a crise econômica atual, é necessário retroceder ao período de 2008 para cá. “Duas crises se encontraram, a que já estava em curso e agora a da Covid-19, que tornou a situação mais caótica, explosiva e complicada”, ressaltou.

O orçamento para 2020 soma R$ 3,565 trilhões, e dentro deste montante as despesas com pessoal totalizam R$ 354 bilhões (9,67% do orçamento total), já incluídos aposentados e pensionistas civis e militares. Já as despesas destinadas ao pagamento dos juros da dívida pública somam R$ 409 bilhões. “Qual a despesa que o governo decide cortar? Os salários! Mesmo que seja uma ‘contribuição simbólica’, como eles dizem”, destacou o economista. “Mas tem ainda R$ 1,193 trilhão [de despesas] com amortizações e refinanciamento da dívida, que também é uma forma de endividamento do Estado porque, mesmo que no refinanciamento ele não tenha que fazer o pagamento daquele título neste ano, isso vai, para a frente, impactar”, acrescentou. “Se somarmos amortização e refinanciamento mais os juros, vamos ter que do total do orçamento de R$ 3,565 trilhões, R$ 1,602 trilhão vão para o pagamento dos juros, amortizações e refinanciamento da dívida, 45% do orçamento”, ressaltou o especialista. Uma montanha de dinheiro que beneficia cerca de duas mil famílias no país frente a uma população de 210 milhões de habitantes.

A economia que o governo faria com o corte salarial dos servidores seria ridícula para o Estado, embora cruel na vida das pessoas – 0,06% do orçamento ou cerca de R$ 2 bilhões mensais, explicou Washington. “Uma das questões da economia que é fundamental neste período é a questão da renda, porque se você tira o salário das pessoas vai aprofundar a crise”, afirmou. Isso em um cenário em que a economia vem decrescendo desde 2016, com o desemprego aumentando, fechamento de inúmeras fábricas e o dólar subindo aceleradamente, com o país queimando bilhões em reservas cambiais todos os dias.

“E tudo que o governo falava, que precisava fazer a reforma trabalhista, a reforma da previdência, privatizações, o congelamento do orçamento, como a gente viu com a EC95 [emenda constitucional 95], foi feito, e a economia não andou”, lembrou Washington. O mesmo que aconteceu na Europa e nos Estados Unidos quando da maior crise desde o Crash de 1929, que eclodiu em 2008 e os estados salvaram os bancos enquanto as pessoas que tinham dívidas hipotecárias perderam suas casas.

Washington também demonstrou como a bolha especulativa é a verdadeira razão da crise, que mais uma vez é jogada sobre as costas dos trabalhadores dos setores público e privado. E falou também como a dificuldade do país para enfrentar a pandemia é outro produto dessas políticas. “Só com a EC95 foram tirados R$ 30 bilhões da saúde”, lembrou, trazendo também os cortes generalizados no investimento em saneamento básico, fornecimento de água potável e outras questões básicas de sobrevivência.

Confira aqui as tabelas do estudo apresentado na transmissão pelo economista e assista abaixo ao vídeo.

Sintrajud em ação #8

O economista Washington Moura mostra porque não é necessário tirar direitos ou atacar os salários do funcionalismo e dos trabalhadores do setor privado para enfrentar a pandemia do coronavírus. Mande suas perguntas. Convide seus colegas

Publicado por Sintrajud em Quinta-feira, 2 de abril de 2020

Com informações do Sintrajud e edição do Sintrajusc