Marcha da Classe Trabalhadora levou milhares às ruas de Brasília pelo fim da 6×1 e pela regulamentação da Convenção 151, entre outras reivindicações

Faixas, bandeiras e batucadas deram cor e ritmo à Marcha da Classe Trabalhadora, que levou às ruas de Brasília milhares de trabalhadores e trabalhadoras das três esferas do serviço público e também da iniciativa privada. A atividade ocorreu na manhã desta quarta-feira, 15, um dia após o governo Lula encaminhar ao Congresso Nacional o projeto que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho sem redução salarial.  O Sintrajusc apoiou a atividade com recursos financeiros repassados ao Fórum Catarinense de Defesa do Serviço Público, do qual faz parte, para o deslocamento a Brasília.

A Marcha foi precedida por uma Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, realizada pela manhã. Dirigentes das centrais sindicais e parlamentares participaram do encontro, que aprovou a pauta da classe trabalhadora para 2026, atualizando as pautas definidas em 2022.

Além do fim da jornada 6×1, a Marcha levou às ruas outras reivindicações, como a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O presidente Lula assinou nesta quarta-feira (15) projeto de lei destinado à regulamentação da Convenção, que trata da negociação coletiva na administração pública.

O projeto deverá estabelecer diretrizes para a negociação coletiva no âmbito da administração pública, disciplinando aspectos como: a definição de instâncias permanentes de negociação; regras para a celebração de acordos; mecanismos de solução de conflitos; e a regulamentação da licença remunerada, ou seja, com ônus para o estado, para o exercício de mandato classista.

A iniciativa, que foi objeto de diversas reuniões no âmbito das Mesas de Negociação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), surge em resposta à pauta de reivindicações apresentada na marcha das centrais sindicais realizada em Brasília. A medida também se insere no esforço do governo de consolidar a recomposição dos canais de interlocução com os servidores públicos.

O projeto iniciará sua tramitação pela Câmara dos Deputados.

Diversidade

A marcha teve início na Esplanada dos Ministérios e seguiu em direção ao Congresso Nacional. Ao longo do trajeto, a diversidade da classe trabalhadora se expressava nos grupos de trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, servidores e servidoras das três esferas (municipal, estadual e federal), bancários, metalúrgicos, professores, químicos e petroleiros. Chamou a atenção a presença de entregadores por aplicativos, além de diversas outras categorias e movimentos sociais, incluindo estudantes e coletivos que ocuparam as ruas, com faixas, bandeiras e batucadas.

Fim da escala 6×1

Uma das principais reivindicações da marcha foi o fim da escala 6×1, considerada pelas centrais sindicais como fundamental para garantir qualidade de vida e justiça social. O projeto enviado pelo governo federal, em regime de urgência, prevê a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução de salário.

A mobilização também deu destaque à regulamentação do trabalho por aplicativos, tema que ganhou força com a presença desses trabalhadores e trabalhadoras. Representantes da categoria destacaram a necessidade de uma regulamentação justa para o setor.

Combate à violência contra as mulheres

Entre as reivindicações aprovadas na Conclat estão o combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres. A pauta reforça a necessidade de políticas públicas e condições de trabalho que garantam segurança e igualdade, especialmente diante das desigualdades estruturais enfrentadas pelas trabalhadoras.

Eixos principais da Marcha:
– Fim da escala 6×1
– Redução da jornada sem redução salarial
– Regulamentação do trabalho por aplicativos
– Combate à pejotização
– Fortalecimento das negociações coletivas
– Direito de negociação para servidores públicos
– Combate à violência contra as mulheresAs centrais também destacam que, dos 63 itens aprovados na Conclat de 2022, cerca de 70% foram implementados, encaminhados ou estão em tramitação no Congresso, incluindo políticas de valorização do salário mínimo, igualdade salarial, ampliação do Bolsa Família e correções no Imposto de Renda.

Rumo ao 1º de Maio

A Marcha da Classe Trabalhadora integra um calendário mais amplo de mobilizações que segue até o 1º de Maio, com atividades em todo o país.

A data terá como eixo reivindicações como o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, o combate à pejotização, a defesa e valorização dos serviços públicos, contra a reforma administrativa, o enfrentamento aos feminicídios e a defesa da democracia e da soberania nacional.

Com informações do Sintrajufe/RS