Seminários na UFSC discutem situação da Universidade e criminalização dos movimentos sociais


Agende-se para dois seminários nesta semana: quinta, 15 de outubro, sobre a Universidade, às 14 horas, no auditório do CED da UFSC. O outro,  do Mucap,  é sobre a criminalização dos movimentos sociais e lutadores,  às  18h30min, no auditório do CSE da UFSC.
 
A UNIVERSIDADE NA CRISE: QUAL O SEU PAPEL?
A Necessidade de Reorganização da Luta Coletiva pela Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade
 
            A UFSC, assim como as demais universidades federais brasileiras, desde que fundada, em 1960, foi pólo de resistência contra a privatização dos patrimônios do povo brasileiro, entres eles, a educação, compreendendo que a forma pública e gratuita é a única capaz de garantir que todos tenham acesso àquilo que é de direito popular.
            Contudo, a educação superior no Brasil não apenas nunca foi universalizada, como nos últimos anos vem sofrendo um profundo processo de privatização que destina o ensino, a pesquisa, a extensão e as estruturas pelas quais se desenvolvem aos interesses particulares que usam a educação como produção de mercadorias com objetivo de lucrar, acumular e expandir capital.
            Enquanto isso, o povo brasileiro permanece carente de condições dignas sofrendo com falta de assistência a saúde, comida, casa, salário e a própria educação, cujas soluções, dificilmente têm feito parte da pauta científica e tecnológica da universidade brasileira.
            Infelizmente, para a contrariedade da maioria do movimento universitário, a contra-reforma universitária dos governos anteriores, principalmente de FHC, foi levada adiante e aprofundada pelo governo Lula. Dessa maneira, os movimentos de resistência a essas políticas ficaram órfãos, desarticulados desorganizados e fragmentados, enfim, sem rumo, já que pareciam ter sido em vão as lutas anteriores, dando lugar nas entidades sindicais e estudantis às políticas conservadoras e espaço à contra reforma. Para as entidades e movimentos sociais que não se submeteram, o governo preparou uma ofensiva muito grande. Um dos exemplos é o que está acontecendo com o ANDES: no ano passado o MEC fundou uma entidade paralela ao sindicato nacional e logo após o ministério do trabalho cassou o registro sindical. Os estudantes têm visto a União Nacional dos Estudantes cumprindo um papel vergonhoso ao legitimar a política de privatização das universidades e da educação no país.
A realidade das IFES é hostil, estão privatizadas na sua essência: na sua composição ideológica e nos seus objetivos. A administração da reitoria é cúmplice e defensora da relação promíscua que as Fundações “ditas” de apoio têm com a Universidade. A cobrança de mensalidades é apenas mais uma característica da privatização e, por certo, a última etapa, com o objetivo de não haver protestos estudantis.
            As administrações da reitoria da UFSC foram todas coniventes com este processo, e o atual reitor, Álvaro Prata, tem colocado em prática todas as políticas da contra-reforma universitária do governo Lula e os efeitos podem ser notados no dia a dia: não há professores e nem vagas em número suficiente nas disciplinas; os professores estão sobrecarregados e muitas vezes precisam colocar seus bolsistas, até mesmo da graduação, para dar aula à própria graduação; não há técnicos administrativos suficientes; os serviços da UFSC, a exemplo da segurança, estão cada vez mais terceirizados por empresas que, além de não prestarem um bom serviço, super-exploram os trabalhadores; não há livros suficientes, nem na BU, nem nas bibliotecas setoriais, deixando os estudantes reféns da “indústria do xerox”; as vagas da moradia estudantil totalizam apenas 153 para mais de 29 mil graduandos; as filas do RU estão insuportáveis, impedindo muitos estudantes que trabalham ou estudam a tarde de almoçar; muitas extensões e pós-graduações já são pagas; as reformas curriculares tornaram os cursos tecnicistas, preocupados em apenas formar mão-de-obra um pouco mais qualificada, invés de cientistas e pesquisadores capazes de criar; a pesquisa e a extensão pouco se preocupam em resolver os problemas do povo brasileiro; muitos cursos novos que foram aprovados não têm estrutura para funcionar, ou seja, não têm salas de aula nem centros onde possam ser encaixados.
            Quando o REUNI foi aprovado, em 2007, com a polícia na porta do conselho universitário, a discussão com a comunidade foi negada. Ainda assim, houve ocupações de reitorias em mais de 10 Universidades, greves, paralisações em defesa da educação pública e de qualidade. Os administradores da universidade não nos permitiram intervir na decisão dos rumos da universidade e isso continua acontecendo. Foi sempre através dessas e de outras lutas que conseguimos direitos. Devemos retomar nosso espírito de luta, pois permanecendo fragmentados e desorganizados damos mais força aos reitores e ao governo federal para que façam o que bem entendem e para que acreditem que mandam na universidade.
            Diante deste quadro, convocamos todos os estudantes, técnicos e professores da UFSC, bem como outros movimentos sociais, que estejam descontentes com esta situação da universidade, a construir um espaço que dê mais um passo no sentido de reorganizar o movimento popular e estudantil no país, em geral, e na UFSC, em particular. Entendemos que essa reorganização deve ter como base uma plataforma de propostas que unifique os lutadores e lutadoras e fortaleça realmente a luta contra a privatização da universidade, como tática para uma luta de longo prazo para que a universidade seja de acesso a todos, crítica ao atual sistema de exploração e desigualdade, criadora de conhecimento para a transformação social, enfim, voltada aos interesses populares e não para o lucro de alguns poucos.
            Para debater tudo isto e as possíveis alternativas de organização do movimento, convocamos a todos e a todas para o Seminário A UNIVERSIDADE NA CRISE: QUAL O SEU PAPEL?
 
Data: 15/10 (quinta-feira) às 14h00 min. no auditório do CED.
 
Contato do MUP: universidadepopular.mup@gmail . com
 
Assinam essa convocatória:
Técnicos Administrativos em Luta
Movimento em Defesa da Seção Sindical do ANDES na UFSC
Movimento por Uma Universidade Popular (MUP)
Coletivo Estudantil Construindo a ANE-L
Centro Acadêmico Livre de Arquitetura (CALA)