Ordem para espionar movimentos sociais causa indignação


Por Imprensa

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, disse na última sexta-feira (26/11) na sede nacional da CUT, que está indignado com as determinações da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo em “espionar” os movimentos sociais. A determinação está assinada em nome da Divisão de Operações de Inteligência Policial (Dipol), subordinada à Secretaria. Stédile recomendou ao governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, que “tome vergonha na cara”, ao protestar contra a determinação.

Para o coordenador do MST, a medida é uma “afronta” e uma “vergonha”. “Os serviços de inteligência da polícia são para descobrir por que existem pessoas que repassam bilhões de reais para o exterior de maneira ilegal e não espionar o movimento social”, disse ele. Stédile pediu ao governador que revogue a medida e peça desculpas à população, lembrando que o próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, veio do movimento sindical. “É um direito do cidadão se organizar livremente”, disse.

Manifestação

O Secretário Nacional de Comunicação da CUT, Antonio Carlos Spis, também protestou contra a medida. “Nossas manifestações são públicas e todas divulgadas pela nossa página na internet, se houver monitoramento da Polícia na Marcha que vamos fazer pela recuperação do salário mínimo será para nos proteger e não para espionar, até porque nós os pagamos”, disse Spis. O dirigente da CUT lembrou ainda que seja lá qual for o governo, “queremos que órgãos de segurança cumpram o seu papel”.

O secretário-geral da CUT Estadual São Paulo, João de Oliveira, em nome de toda a Executiva Estadual divulgou nota à imprensa de protesto. Diz o texto que a medida é um ataque direto à democracia e à liberdade de expressão e que representa a volta da ditadura militar. A nota ainda critica o governador Geraldo Alckmin, que “mais uma vez não respeita a organização e a mobilização de entidades sociais e sindicais representativas” e anuncia manifestação, no próximo dia 30, em frente a Assembléia Legislativa.

Veja a íntegra do documento:

“CUT/SP associa medida de Alckmin à ditadura militar

A Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT/SP) recebeu perplexa e indignada o documento da Divisão de Operações de Inteligência Policial (DIPOL), órgão ligado à Secretaria de Segurança do governo de São Paulo, que tem como função “espionar” as ações de entidades ligadas aos movimentos sociais, entre elas Pastoral Operária, UNE, MST, Central de Movimentos Populares, e, em especial, a CUT.

Tomamos conhecimento dessa denúncia, ontem dia 25, durante audiência com o deputado estadual Roberto Simões (PT) e soubemos que esse “monitoramento” já está acontecendo. Para nós, além de ser um retrocesso e um ataque direto à democracia e à liberdade de expressão, representa a volta da ditadura militar, capítulo cruel e covarde da nossa história, e caminha na contramão dos direitos humanos.

Mais uma vez Alckmin não respeita a organização e a mobilização de entidades sociais e sindicais representativas, que ao longo da sua trajetória, têm lutado de forma intransigente em defesa da manutenção e ampliação dos direitos e interesses da classe trabalhadora. Além disso, essa determinação tem como finalidade “criminalizar” a ação legítima dos movimentos sociais, e entendemos que não são com medidas autoritárias que vamos resolver os problemas e as mazelas sociais, mas sim com diálogo e negociação — compromissos que faltam a Alckmin. Não admitimos que qualquer esfera governamental tome esse tipo de postura, como também continuamos exigindo do governo federal a abertura dos arquivos da ditadura militar.

O governo estadual esquece de cumprir o seu verdadeiro papel, que é implementar políticas que combatam de fato o crime organizado, que tem assolado a população de São Paulo com o aumento, por exemplo, dos seqüestros relâmpagos, homicídios, das rebeliões da Febem e dos roubos de carro.

Como providências, vamos em conjunto com as entidades que participam da Coordenação dos Movimentos Sociais pedir audiências com os representantes legais do Ministério Público de São Paulo, Ouvidoria da Polícia Militar e com o governador Alckmin. Também formalizaremos denúncia à Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA). No próximo dia 30, às 14h, na Assembléia Legislativa, realizaremos um ato contra essa medida e exigiremos que o direito constitucional de manifestação seja respeitado.”

Fonte: Portal Vermelho com informações da CUT