Nota Pública: o “estudo” é, antes de tudo, um exercício de má fé e enganação


Fenajufe – Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União – vem a público manifestar total repúdio ao panfleto liberal travestido de “estudo”, divulgado pelo instituto Millenium e reverberado pela imprensa comercial brasileira, atacando frontalmente os serviços públicos e atribuindo ao segmento responsabilidade por gastos intencionalmente mal explicados no “levantamento”.

Os dados apresentados não correspondem à realidade do Serviço Público em seus diferentes níveis organizacionais e o pior, desconsidera drasticamente as diferenças regionais do país, sem atribuir o peso do segmento na manutenção e impulsionamento das economias de grande número de municípios brasileiros.

No Judiciário, a realidade salarial desenhada pelos dados do Millenium reflete o recorte de extrato pequeno da categoria, tomado como o todo, criando uma visão distorcida do cenário com o objetivo de induzir a opinião pública ao erro e à demonização do segmento.

E o mais grave: o estudo do Millenium é, antes de tudo, um exercício de má fé e enganação deliberadas. Ao considerar salários de servidores e gasto público como elementos distintos, como se os salários não estivessem contidos nos gastos públicos: não existem hospitais, escolas públicas e tribunais sem médicos, enfermeiros, professores e servidores que executem as tarefas e atendam ao cidadão que precisa dos serviços.

Outra mentira grave que o estudo narra é a atribuição da falta de investimento público ao comprometimento do orçamento com a folha de pagamento. Além de rubricas distintas, o que acabou com o investimento público foi a emenda do teto dos gastos – EC 95 – congelando investimentos pelos próximos 20 anos.

Muito aquém de um estado inchado como propõe o Millenium, o estudo vem à luz com ampla divulgação no momento em que o governo, por pressão do Centrão, adia o envio da Reforma Administrativa ao Congresso para 2021, após as eleições. Não existem coincidências e sim, o timming perfeito entre o estudo e o interesse da elite financeira.

A Fenajufe repudia ainda a postura do Jornal Nacional e da imprensa comercial, ao repercutirem com estardalhaço informações que tão única e exclusivamente, buscam justificar o fim da prestação de assistência do Estado a todos os cidadãos, principalmente aqueles mais desprotegidos.

Sobre o Millenium

Além de alinhar-se a uma corrente político-ideológica de viés distorcido e que costuma amenizar os apoios históricos do espectro a ditaduras e regimes totalitários que suprimem os valores humanitários, o Instituto Millenium está intestinamente entranhado no desmonte do Estado e no “desembarque” de pobres e cidadãos “economicamente fragilizados”, das políticas públicas de Assistência e Apoio Social.

Pérola do estudo divulgado pode ser encontrada na página de divulgação do “Raio X”: “O uso da ciência de dados para o estudo permitiu a implementação de várias técnicas que envolvem automatização na coleta e trabalho de análise dos dados. Foram utilizados algoritmos para fazer a coleta de dados em base oficiais e públicas.”, não explicando as bases de cálculo ou sequer as diretrizes lógicas do “algoritmo”, como se estatística fosse ciência inexata e que permitisse

São bandeiras do Millenium, entre outras controvérsias, a submissão do Estado às corporações através da implantação do Estado Mínimo e do liberalismo econômico que não vê legitimidade nas necessidades assistenciais das populações mais pobres.