EUA terão pela primeira vez um senador socialista e um senador muçulmano


Além da maioria democrata, confirmada pela admissão da derrota republicana em Virginia, o próximo Senado dos Estados Unidos terá também o seu primeiro membro muçulmano… assim como o primeiro socialista auto-assumido. Este é Bernie Sanders, 65 anos, eleito pelo pequeno estado de Vermont, na Nova Inglaterra.
Sanders: “Não sei até onde eles irão”. O senador eleito de fé muçulmana é Keith Ellison, de Minnesotta, negro de origem católica mas convertido ao Islã e próximo ao movimento de Louis Farrakhan. Hoje, é membro da bancada democrata na Câmara de Representantes.

“A mais forte campanha de base”

O caso de Sanders é ainda mais inusitado, pois ele concorreu e se mantém como independente, embora para efeito dos blocos parlamentares engrosse a bancada democrata: e sabe-se que está tornou-se majoritária no Senado por apenas um voto de diferença. Atualmente ele também está na câmara baixa, onde é igualmente o único a se proclamar socialista.
Sanders venceu a disputa em Vermont após prometer que montaria “a mais forte campanha de base que este estado jamais viu”. Deu certo, pois teve 65% dos votos, derrotando por larga margem o empresário Richard Tarrant, seu concorrente republicano. A folga aumentou porque o Partido Democrata decidiu não lançar candidato em Vermont, apoiando o postulante socialista.

“O extremismo de direita está morto”

Sanders faz uma avaliação otimista do resultado eleitoral nacional. “Acredito que a política da direita extremista está morta no país. Isto é uma grande coisa”, declarou à TV, sobre a derrota do neoconservadorismo do presidente George W. Bush.
Mas o senador eleito também expressa ressalvas em relação aos democratas. Ele disse que chamará os seus aliados a “começar a barrar os poderosos interesses das corporações e os interesses monetaristas de Washington”. Mas agregou: “Irão os democratas fazer isso? Eu não sei se farão ou não. Eu não sei até onde eles irão. Espero que o façam.”
Em mais de três décadas de vida pública, Sanders já se queixou muitas vezes da diminuta diferenciação entre os dois grandes partidos que dominam a política americana. Costuma chamá-los de “o tweedle-dum e o tweedle-dee”. Mas reconhece o papel que os democratas tiveram para conduzi-lo ao Senado.

Um pequeno estado rebelde

Vermont, um pequeno estado da Nova Inglaterra que faz fronteira com a parte francófona do Canadá (o nome vem do francês e significa Monte Verde), é conhecido por sua rebeldia e atrevimento político, de conteúdo entre libertário e liberal (no sentido americano do termo, que corresponde vagamente a progressista). A tradição intriga os analistas, já que se trata de um estado em grande parte rural (sua economia se baseia no turismo de inverno) e o segundo mais branco do país (apenas 0,9% de hispânicos e 0,5% de negros).
Neste ambiente Bernie Sanders fez sua trajetória. Filho de uma família de imigrantes judeus-poloneses, que migrou para o Brooklyn, participou dos protestos nos anos 60-70 contra a Guerra do Vietnã, já foi prefeito de Burlington (a maior cidade do estado, com 40 mil habitantes) e desde 1991 elege-se membro da Câmara.
Apesar das simpatias progressistas dos seus conterrâneos, e de explicitar que seu socialismo é democrático, não tem sido fácil a carreira do agora primeiro senador socialista da história dos EUA. Ele diz brincando que será também o primeiro senador do país que já concorreu a um cargo majoritário obtendo apenas 1% dos votos — resultado que obteve em duas outras campanhas para o Senado, nos anos 70.

Fonte: Portal Vermelho