Companheiro da federal perde a casa num incêndio e ainda teve dias de trabalho descontados


O curto circuito e a insensatez

Por Robak José Barros – Coordenador Regional Sul do SINTRAJUSC

Nosso amigo Edson Mantendal Gentil, lotado na Justiça Federal em Criciúma perdeu sua morada num incêndio no último dia 18/10. O sinistro deixou ele, a esposa e cinco filhos sem casa para morar. Durante a semana que se seguiu ao fato, sua família se viu obrigado a se separar, ficando alojados em casas de parentes. Era um filho em cada parente, até que encontrassem outra casa.

Nesses momentos, quando um infortúnio atinge um semelhante – colega de trabalho, amigo, parente ou até mesmo um desconhecido, somos atingidos em cheio por um sentimento de irmandade e solidariedade. Mesmo o mais pobre dos seres humanos, o mais insensível e até o mais individualista é capaz de demonstrar e direcionar o seu espírito solidário para com aquele que foi vitimado por uma tragédia. Todos, procuramos usar o que estiver ao nosso alcance para ajudar a minimizar as perdas, patrimoniais ou humanas (felizmente não foi o caso) que, por(des)ventura, alguém venha a sofrer. Pior que a perda total de bens materiais, levados anos para adquirir, é a perda do apoio e a negação da solidariedade daqueles que possuem a discricionariedade para fazê-lo.

Despossuído de moradia e auxílio moradia, nosso amigo e colega Edson, não tinha, naquele momento, condições para retornar ao trabalho na segunda-feira, dia 20/10. Fez contato com a Sra Marta, diretora da vara, sua superior imediata, na tentativa de justificar sua falta ao trabalho, pois estava procurando uma casa para morar. Ela lhe deu um sinal positivo e ele ficou tranqüilo, para, durante aquela semana, procurar uma casa para alugar e abrigar sua família.

Agora, vejam só. Pasmem! Senhoras e senhores! O Ilustríssimo Senhor Juiz Federal Dr. Clóvis Braga, mandou constar como faltas, os dias em que o servidor não compareceu ao trabalho. Sem considerar que o mesmo não tinha condições psicológicas nem materiais para fazê-lo. O que dizer de uma pessoa vestida de toga e totalmente despida de solidariedade e humanidade?

Entregamos o caso ao jurídico do SINTRAJUSC, que já tomou as providências cabíveis e urgentes. O colega Edson, vitimado por um curto circuito e por um ato de insensatez, vai se reerguer e reconstruir sua vida. Saberá olhar nos olhos de cada um e reconhecer, quais são, os olhos da solidariedade.