Bancários fazem contatos em Brasília em busca de negociação


Por Imprensa

A Executiva da CNB (Confederação Nacional dos Bancários) teve um dia bastante movimentado em Brasília ontem (5), 21º dia de greve da categoria. Os representantes dos trabalhadores se reuniram com a direção da Caixa Econômica Federal, depois com o Banco do Brasil e, ainda, com o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), em busca de uma mediação que ponha fim ao impasse salarial.

“Nós reafirmamos aos bancos federais que tanto a Caixa como o BB não podem ser meros expectadores neste processo. Eles precisam jogar seu peso com a Fenaban para obrigar os banqueiros a reabrirem as negociações e melhorarem a proposta para resolver o impasse”, explicou Vagner Freitas, presidente da CNB/CUT e coordenador da Executiva.

Os bancários ainda cobraram da Caixa e do Banco do Brasil a reabertura das negociações específicas, com a mesma pauta já entregue no início da Campanha Salarial, em junho.

Truculência

Logo pela manhã, os bancários já sentiram toda a animosidade dos banqueiros com o movimento grevista. Na chegada ao prédio da Caixa, onde a reunião já estava agendada, a Executiva Nacional foi recebida por um forte aparato da Polícia Federal. Armados com metralhadores e revólveres para conter qualquer manifestação, os policiais assustaram os bancários. “Nós ficamos indignados, achamos esta repressão uma violência gratuita, principalmente quando praticada por um governo democrático”, lamentou o presidente da CNB.

Assim que foi atendida pela direção da Caixa, a Executiva Nacional reclamou da ação ostensiva da Polícia Federal e exigiu a imediata retirada dos policiais. A direção acatou o pedido dos bancários e liberou a entrada do prédio. “Não é com repressão policial que os bancos vão resolver este impasse”, destacou Vagner.

Se a Polícia Federal assustou os bancários na Caixa, no Banco do Brasil o encontro foi ainda pior. Embora não houvesse ameaça de violência física, a Executiva Nacional sofreu com a intransigência dos representantes do banco. “No Banco do Brasil, os representantes só disseram não. Que não vão interferir para que a Fenaban reabra o processo de negociação, que não vão continuar com as negociações específicas – pois já avançaram nos pontos em que podiam – e ainda disseram que vão descontar os dias parados. É um absurdo que a direção de um Banco Público num governo dos trabalhadores seja tão intransigente e truculenta. Que aposte no enfrentamento ao invés de tentar negociar”, lamentou.

Na Caixa, a direção também não deu nenhuma resposta aos bancários, apenas disse que iria estudar as reivindicações.

Intervenção de João Paulo

Entre o encontro com a CEF e com o BB, a Executiva Nacional se reuniu com o presidente da Câmara, João Paulo Cunha, e denunciou a repressão da Policial Federal no prédio da Caixa. Ainda denunciou a violência da Polícia Militar por todo o país, principalmente em São Paulo, onde a PM tem reprimido os grevistas com socos e pontapés, além de prender vários sindicalistas.

Os bancários ainda reclamaram para o presidente da Câmara sobre a Fenaban e o governo federal, que, passados 21 dias de greve, ainda não aceitaram sentar-se à mesa com os grevistas para negociar, nem sinalizaram para uma melhora na proposta. A Executiva Nacional ainda denunciou a prática abusiva dos bancos em reprimir a greve com um instrumento jurídico que não é voltado para estes fins e que nem ao menos é dado pela Justiça do Trabalho: o interdito proibitório.

Para Vagner Freitas, o encontro dos bancários com o presidente da Câmara dos Deputados foi muito positivo. João Paulo se comprometeu a entrar em contato com a Fenaban para pedir a reabertura das negociações e com as direções do BB e da CEF para que os dois maiores bancos públicos tentem solucionar o impasse das reivindicações específicas. “O presidente da Câmara nos recebeu muito bem e deixou claro que o problema da greve deve ser resolvido negociadamente”, relatou Vagner.

A Executiva Nacional dos Bancários volta a se reunir nesta quarta-feira, às 10 horas, na sede da CNB/CUT, em Brasília, para definir as próximas estratégias da greve. À tarde, os bancários têm encontro marcado com os senadores Paulo Paim e Cristóvão Buarque.

Fonte: CNB/CUT