Aumenta a mobilização: servidores da Justiça aderem à greve


BRASÍLIA- Um levantamento da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário [Fenajufe] identificou um aumento na adesão à greve iniciada na última quarta-feira e aponta para a paralisação total das atividades no Judiciário Federal nos próximos dias. Segundo Ramiro Lopez, diretor da Fenajufe, diferentes setores de varas e tribunais já não funcionam, e se a situação não for resolvida, em 20 dias o funcionamento do Judiciário Federal ficará inviabilizado.

A greve atinge servidores das Justiças Federal, Trabalhista, Eleitoral, Militar e a Justiça do Distrito Federal, uma categoria que totaliza cerca de 100 mil funcionários. O movimento quer a aprovação do Projeto de Lei nº 5.845, de 2005, que institui o Plano de Cargos e Salários [PCS] dos servidores da Justiça Federal. O projeto fixa três carreiras de servidores e aumenta seus salários em até 50%.

De acordo com Ramiro Lopez, a adesão é grande nos principais Estados. No Distrito Federal, relevante por abrigar os tribunais superiores, a adesão é estimada em 60%. Em São Paulo, o fórum da Barra Funda tem adesão de 50%.

Conforme o sindicalista, mesmo sem conseguir adesão total, o movimento já começa a afetar o andamento dos processos. No Rio Grande do Sul, seis varas trabalhistas suspenderam prazos. Em Santa Catarina, o setor de informática parou, o que significa parar todo o tribunal. No Supremo Tribunal Federal [STF], segundo Lopez, o setor de protocolo e autuação também não está funcionando. Para ele, com o passar dos dias todos os processos podem ficar represados em algum dos setores inativos. A Fenajufe informa que a mobilização atinge 14 Estados.

Plano de Salários
O presidente do Superior Tribunal de Justiça [STJ], ministro Barros Monteiro, a ministra Ellen Gracie, presidente do Supremo Tribunal Federal [STF] e o ministro Ronaldo Lopes Legal, presidente do Tribunal Superior do Trabalho [TST] reúnem-se nesta sexta-feira para discutir o plano de cargos e salários [PCS] dos servidores do Poder Judiciário, motivo da greve que a categoria mantém há cerca de uma semana. No fim de abril, Barros Monteiro iniciou contatos com deputados para pedir urgência na tramitação do Projeto de Lei nº 5.845/2005, que trata do plano de cargos e salários dos servidores do Poder Judiciário. Um dos parlamentares com quem o presidente do STJ fez contato é o deputado federal Moreira Franco [PMDB-RJ], presidente da Comissão de Finanças e Tributação

Por Fernando Teixeira, do Jornal Valor Econômico