Brasil reduz a fome e sai novamente do Mapa da Fome da ONU; entenda como funciona o indicador

Depois de alguns anos de volta ao Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil saiu novamente da lista de países que constam no relatório. Os dados foram divulgados pela ONU nesta segunda-feira, 28.

O Mapa da Fome inclui os países em que mais de 2,5% da população está em risco de subnutrição ou sem acesso à alimentação suficiente. A ONU faz uma média de três anos do índice na divulgação de cada relatório, que é anual.

Veja AQUI a íntegra do relatório.

De 4,2% a menos de 2,5% em dois anos

O Brasil havia saído do Mapa da Fome em 2014, mas voltou a constar no relatório a partir do triênio 2019-2021, quando esteve sob o governo de Jair Bolsonaro (PL). Veja abaixo como ficou o índice nos últimos triênios:

2019-2021 – 3,4%

2020-2022 – 4,2%

2021-2023 – 3,9%

Finalmente, no triênio 2022-2024, o índice ficou abaixo de 2,5%. Com isso, o país saiu do Mapa da Fome.

Como a ONU faz esse cálculo?

O índice é calculado a partir de três variáveis: quantidade de alimentos disponíveis no país, considerando produção interna, importação e exportação; o consumo de alimentos pela população, considerando as diferenças de capacidade de aquisição (a renda) e a quantidade adequada de calorias/dia, definida para um “indivíduo médio” representativo da população. Estimada a quantidade total de alimentos disponíveis no país, calcula-se como ela se distribuiria entre a população, considerando que essa distribuição não é igualitária, mas varia de acordo com a renda que os indivíduos têm para adquirir alimentos (os mais pobres, por exemplo, têm menor capacidade aquisitiva). Por fim, calcula-se, dada essa distribuição, o percentual da população que não teria acesso a alimentos em quantidade suficiente (kcal/dias) para uma vida saudável. Se esse percentual ficar acima de 2,5%, o país está no Mapa da Fome.

Resultado de políticas sociais

Conforme o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias, a saída do Mapa da Fome “é fruto de políticas públicas eficazes, como o Plano Brasil Sem Fome que engloba o Bolsa Família, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o Programa Cozinha Solidária, a valorização do salário mínimo, crédito para a produção de alimentos pela agricultura familiar (Pronaf), incentivo à qualificação profissional, ao emprego e ao empreendedorismo, além do incremento da alimentação escolar. Todas as políticas sociais trabalhando juntas para ter um Brasil sem fome e soberano”.

Conforme publicação do governo federal sobre o relatório da ONU, já em 2023 “o país reduziu a pobreza extrema a 4,4%, um mínimo histórico, refletindo a retirada de quase 10 milhões de pessoas dessa condição em relação a 2021. Em 2024, a taxa de desemprego chegou a 6,6%, a menor desde 2012, o rendimento mensal domiciliar per capita bateu recorde, chegando a R$ 2.020, e o índice de Gini, que mede a desigualdade, recuou para 0,506 — menor resultado da série histórica. A queda da desigualdade reflete a dinâmica do mercado de trabalho, com a recuperação gradual do emprego e o aumento da formalização. Em 2024, a renda do trabalho dos 10% mais pobres do Brasil cresceu 10,7%. E o ritmo desse crescimento foi 50% maior do que o verificado entre os 10% mais ricos. A renda do trabalho subiu, em média, 7,1% no ano. Além disso, de acordo com informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), das 1,7 milhão de vagas com carteira assinada criadas no Brasil em 2024, 98,8% foram ocupadas por pessoas cadastradas no Cadastro Único do Governo Federal. Entre os contratados, 1,27 milhão (75,5%) eram beneficiários do Bolsa Família. Com aumento de renda ao conquistar um emprego estável ou uma melhor condição financeira como empreendedores, cerca de um milhão de famílias superaram a pobreza e deixaram de receber o benefício do Bolsa Família em julho de 2025”.

Do Sintrajufe/RS com informações do G1, da Folha de S. Paulo e do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil

Foto: arquivo/Agência Brasil