71% dos brasileiros querem fim da escala 6×1; estudo apresenta efeitos positivos da medida em Santa Catarina

Mais de 70% dos brasileiros e brasileiras apoiam o fim da escala de seis dias trabalhados e um de descanso, conhecida como 6×1. É o que mostra pesquisa Datafolha divulgada recentemente. Há, neste momento, diferentes propostas sobre o tema em tramitação na Câmara dos Deputados e no Senado, enquanto os trabalhadores e trabalhadoras preparam novas mobilizações com essa reivindicação.

A aprovação popular do fim da escala 6×1 aumentou em comparação com a última pesquisa: passou de 64%, no final de 2024, para 71% agora. O Datafolha ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros, entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Mobilizações

O fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho e a luta contra a precarização do trabalho têm sido objeto de manifestações. Pauta histórica dos trabalhadores, a redução de escala e jornada ganhou força no último período com mobilizações nacionais convocadas pelo movimento “Vida Além do Trabalho”. A essas manifestações, somaram-se atividades convocadas por centrais sindicais, frentes e sindicatos.

Em abril do ano passado, por exemplo, a Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, reuniu trabalhadoras do campo e da cidade, de todas as regiões do país, em defesa de direitos e por condições dignas de trabalho e de vida. Poucos dias depois, no 1º de Maio, os mesmos temas estiveram em pauta. Os protestos se repetiram no dia 7 de setembro, Dia da Independência, e no dia 21 do mesmo mês. Faz parte dessa mesma luta a defesa da revogação da reforma trabalhista de 2017, de Michel Temer (MDB), e da reforma da Previdência de 2019, de Jair Bolsonaro (PL).

Marcha a Brasília

Agora, a luta deverá ser intensificada. Trabalhadores e trabalhadoras de todo o país se reúnem no próximo dia 15 de abril, em Brasília, para a Marcha da Classe Trabalhadora 2026, com reivindicações históricas do movimento sindical e desafios atuais do mundo do trabalho. Entre as principais bandeiras estão a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o fim da escala 6×1, o envio de um projeto de lei de regulamentação da Convenção 151 da OIT que trata da negociação coletiva no serviço público, o combate ao feminicídio, o enfrentamento à pejotização e a regulamentação do trabalho por aplicativos.

Realidade em Santa Catarina

A Nota Técnica “Potenciais impactos socioeconômicos do fim da escala 6×1 em Santa Catarina”, da consultoria Germinal, revela que a medida beneficiaria diretamente 1,25 milhão de trabalhadores em Santa Catarina, cerca da metade dos empregados formais ou 20% da população adulta do estado, com possibilidade de gerar cerca de 64 mil novos empregos formais, sendo destaque a indústria (24 mil vagas), e ainda o comércio (20 mil) e serviços (17 mil). Entre os trabalhadores beneficiados pela redução da jornada, três em cada quatro são de famílias com renda de até 2 salários-mínimos por pessoa, metade deles mulheres. Os responsáveis pela Nota Técnica são os economistas Mauricio Mulinari e Vicente Loeblein Heinen.

Outra conclusão a que os pesquisadores chegaram refere-se ao aumento da renda do trabalho: com a medida, a combinação de geração de empregos e valorização salarial deve elevar a massa de rendimentos do trabalho em aproximadamente 1,6% no estado. Por sua vez, as despesas relacionadas à implementação da jornada semanal de 40 horas, compatível com escalas 5×2, equivaleriam a somente 1% do custo total das empresas catarinenses.

A estimativa é que, ao impulsionar a renda e o consumo das famílias, a redução da jornada poderia promover uma expansão de 1,1% no PIB de Santa Catarina. Outro ponto é a redução das desigualdades de renda: os 40% mais pobres da população tendem a experimentar ganhos proporcionais de renda maiores, enquanto o impacto sobre os 10% mais ricos é praticamente nulo.

Na Nota Técnica, os pesquisadores concluem que a questão central não é se a economia brasileira ou catarinense “pode” reduzir a jornada de trabalho. A pergunta relevante, afirmam, “ é quem deve se beneficiar do progresso econômico e dos ganhos de produtividade acumulados ao longo das últimas décadas”.  Se a riqueza social continua crescendo, finalizam, “não há justificativa para que a maioria da população permaneça presa a rotinas de trabalho extenuantes, sem direito sequer a dois dias de descanso por semana”.

Link do estudo:

https://drive.google.com/file/d/1s7gnpKb67NO3R6bJBgWa0AKcOddvh2Et/view?usp=sharing

Com imformações do Sintrajufe/RS – Foto: Scarlett Rocha/Sinasefe