SENADO APROVA PEC QUE CONGELA GASTOS. NA ESPLANADA, POLÍCIA MILITAR ATACA MANIFESTANTES


O Senado aprovou na noite dessa terça-feira (29), em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que prevê o congelamento dos investimentos públicos federais por 20 anos. O resultado da votação foi 61 votos favoráveis à proposta e 14 contrários. O segundo turno deve ocorrer no dia 13 de dezembro.

Na sessão, parlamentares contrários ao projeto criticaram em Plenário o fato de que não se franqueou acesso às galerias da Casa aos representantes de manifestantes que realizavam protesto na capital federal. Na multidão havia centenas de servidores federais, entre eles os do Judiciário, com três colegas da base do Sintrajusc.

Defendida por Michel Temer (PMDB), a proposta já foi aprovada na Câmara dos Deputados. Parlamentares da oposição, contrários à PEC, defendem mudanças, como a alteração de seu prazo de vigência e uma consulta à população para que ela tenha validade.

A concentração contra a aprovação da PEC deixou o Museu Nacional às 17h em direção ao Congresso Nacional. Foi uma caminhada bonita, repleta de esperança e gritos contra Temer. O grupo atravessou a Esplanada e chegou ao gramado do Congresso.

Dentro do Congresso, as repartições pararam: todos foram para janela ver a multidão. Mas os deputados, no salão verde, seguiam fazendo pouco-caso da manifestação. Instigado a mandar um recado aos estudantes, o deputado Espiridião Amim (PP-SC) respondeu: "achem outra solução para o déficit das contas públicas". O deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS) passou o olhou pela janela da entrada, percebeu o início das hostilidades da polícia e seguiu sua conversa com um assessor.

Quando o Senado iniciava a sessão, do lado de fora, a polícia iniciava seus ataques. Em poucos minutos, mais de 300 policiais do Batalhão de Choque, da ronda motorizada e do Cavalaria violentaram a democracia, reprimindo até mesmo manifestantes parados, que fotografavam ou ajudavam seus colegas. Muitos jovens começaram a fazer barricadas para dificultar o avanço da polícia. A Esplanada, o coração da República, virou uma praça de guerra.

Deputados como Alessandro Molon, Benedita da Silva, Léo de Britto e Elvino Bohn Gass deixaram o Congresso e intervieram junto aos policiais. No caminhão de som, coordenadores do ato pediam para a multidão recuar até o Museu Nacional e para a polícia parar de atacar o povo. A multidão recuou, mas a polícia não deteve seu avanço ostensivo. Na grande mídia, só houve lamentos em relação ao que chamavam de patrimônio público depredado, sem nada de informação que mostrasse os impactos da PEC 55.

Agora a mobilização será no sentido de barrar a aprovação em segundo turno, com os Sindicatos já articulando atividades para o dia 13.

Fontes: Brasil de Fato, Carta Capital e Mídia Ninja (foto), com edição do Sintrajusc