Rebelião operária e a chacina de 1919 serão recordadas na Argentina


Por Janice Miranda

Há 85 anos, o prédio que hoje é a Praça Martín Fierro, foi cenário de luta para mulheres e homens em busca de direitos dignos para todos trabalhadores. A rebelião também resultou na conhecida Semana Trágica, em que vários operários foram fuzilados na fábrica Pedro Vasena. A data será lembrada neste domingo, dia 11 de janeiro com uma marcha até a Praça Martín Fierro, às 16 horas.

História

Os operários da fábrica Pedro Vasena estavam em greve há um mês e queriam a redução da jornada de trabalho de 11 para 8 horas, o descanso dominical, aumentos escalonados de salários e a reincorporação de operários grevistas demitidos. O sindicato (Sociedade de Resistência Metalúrgica) compartilhava do ideário anarquista.

No dia 7 de janeiro de 1919, às 16 horas, as máquinas funcionavam com um pequeno número de operários que não aderiram à greve e com “quebras-greve”, contratados para a empresa pela Associação do Trabalho. Ao chegar à interseção da avenida Amancio Alcorta e rua Pepirí, um grupo de grevistas acompanhado de mulheres e crianças tentaram detê-los de forma pacífica. Eles não pararam e então os operários começaram a atirar pedras.

Foi quando chegou a polícia, que disparou os fuzis, deixando, depois de duas horas, um saldo de quatro operários mortos e mais de 30 feridos, alguns dos quais morreram depois. O fato determinou que a Associação da Sociedade de Resistência Metalúrgica proclamasse a greve geral para todo a categoria.

No dia 9, trabalhadores percorriam as ruas incentivando a greve e a insurreição aberta contra o governo. A cidade estava parada. Às 15 horas, saia de Nueva Pompeya o cortejo fúnebre que levava os mortos do dia 7, com mulheres, crianças e um pequeno grupo de grevistas.

No mesmo dia, às 19 horas, o governo de Hipolito Yrigoyen envia a Infantaria e houve outros enfrentamentos entre operários e policiais em vários pontos da cidade. O dia deixava como saldo, aproximadamente, 100 mortos e 400 feridos. A greve acabou no dia 16 de janeiro. Durante a Semana Trágica de janeiro de 1919, calcula-se entre 1.356 mortos e 5.000 feridos, a maioria operários e pessoas não envolvidas nos atos de violência.

Fonte: ADITAL com informações da Argenpress