Pesquisa da OIT mostra que mulheres estudam mais e ganham menos que homens


As mulheres têm, em média, escolaridade superior à dos homens e, mesmo assim, ganham menos. A disparidade no rendimento aumenta se a mulher é negra e se a comparação for feita em relação ao homem branco. Nesse caso, a diferença de salário chega a ser de 50%.

Em outros, com escolaridade de 15 anos ou mais, chega a 60%. Essas são as principais conclusões da pesquisa “As Mulheres no Mercado de Trabalho no Brasil”, divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O diretor da OIT no Brasil, Armand Pereira, reconheceu o empenho do governo para diminuir a discriminação e destacou a criação das secretarias especiais e das políticas públicas de combate à pobreza e de geração de emprego, com foco na igualdade de oportunidades. Ele também disse que o bom desempenho da economia brasileira em 2004 e seus reflexos positivos no mercado de trabalho, como a diminuição do desemprego, trouxeram conseqüências positivas, mas não suficientes.

Pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a taxa de desemprego do País caiu de 13,32% em 2003 para 11,48% em 2004. Na análise desagregada dos números, a OIT chamou a atenção para o fato de a taxa de desemprego entre as mulheres ter se reduzido mais do que a dos homens e, mesmo assim, permanecer num nível mais elevado. “Será necessário um longo período de crescimento da ocupação e de diminuição do desemprego para que essa situação se modifique”, disse Pereira.

O diretor da OIT disse que a promoção da igualdade entre homens e mulheres é essencial para alcançar o objetivo fundamental do organismo, de promover o trabalho decente. A especialista Laís Abramo explicou que a OIT entende como trabalho decente empregos de qualidade para homens e mulheres, com proteção social e respeito aos princípios e direitos fundamentais.

Na pesquisa a OIT trata, segundo Laís Abramo, de derrubar alguns mitos. Um deles é de que as mulheres ganham menos do que os homens porque possuem menos instrução. Nada mais falso, de acordo com a pesquisadora. Ela explicou que não só no Brasil mas, em geral na América Latina as mulheres têm, em média, níveis de escolaridade superiores à dos homens. São sete anos de escola contra 6,8 anos para os homens.

Rendimento
A pesquisadora destacou que quanto maior o nível de escolaridade maior a disparidade nos rendimentos. Uma mulher com mais de 15 anos de escola ganha cerca de 60% do salário do homem nas mesmas condições. Isso acontece, de acordo com Laís, porque as mulheres com nível superior de escolaridade estão em empregos onde os salário é menor. Elas são professoras, enfermeiras e funcionárias públicas, por exemplo.

Outro mito, aponta, é que as mulheres têm menos acesso ao emprego e ganham menos porque custam mais para o empregador.

“Esse argumento não se baseia em evidência estatística”, disse Laís. Ela contou que a OIT fez pesquisa sobre esse tema específico no Brasil, Argentina, Chile, México e Uruguai. O resultado comprova que o custo monetário para o empregador é bastante reduzido, em média de 2% da remuneração bruta mensal das mulheres.

No Brasil esse custo é de 1,2% e para ele contribuem a creche, o menor número de horas de trabalho durante a amamentação e a contratação temporária para a substituição da trabalhadora durante a licença maternidade.

Fonte: Tribuna da Imprensa Online