Para Paim combate ao desemprego é mais urgente que mudança na CLT


Por Marcela Cornelli

O senador Paulo Paim (PT-RS) reconheceu não ser possível aprovar este ano, no Congresso, as reformas trabalhista e sindical, mas pediu grande discussão sobre o assunto. Ele participou de debate na sexta-feira, em Brasília, com centrais sindicais e confederações, que foi transmitido por videoconferência para assembléias legislativas do país.

Segundo Paim, o desemprego no Brasil já atingiu características de calamidade pública. Em pesquisa do Datafolha, 49% dos entrevistados apontaram o desemprego como sua maior preocupação, lembrou.

Como exemplos de iniciativas que podem gerar empregos, o senador citou a proibição de horas extras, a redução da jornada de trabalho, o combate ao trabalho infantil, o incentivo às políticas do primeiro emprego e a reforma agrária, bem como programa de obras públicas.

Paim se manifestou contrário às chamadas políticas de flexibilização das leis trabalhistas, argumentando que, em países em que foram adotadas, o trabalhador foi o maior prejudicado e o desemprego aumentou. Ele citou países como a Alemanha, onde o desemprego passou de 4,8% para 8,7%; a França, o índice subiu de 9% para 11,3%; e o Japão, de 7,5% para 14,3%.

O senador observou ainda que, no Brasil, depois de aprovado o contrato temporário de trabalho e do fim da política salarial, o desemprego pulou de 3% para 9,6%.

Videoconferência – O vice-presidente do Senado afirmou, ao abrir a videoconferência com representantes de trabalhadores e empresários sobre as reformas sindical e trabalhista, no Interlegis, que combater o desemprego é muito mais importante neste momento do que alterar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“A questão do desemprego é o principal problema do país. Não creio que a reforma sindical e trabalhista seja tão urgente ou que possa socorrer a classe trabalhadora da emergência que a aflige hoje, que é o desemprego”, salientou.

Paim advertiu para os problemas que podem surgir a partir de mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho.

“A CLT é um patrimônio nacional; com ela, o Brasil já teve memoráveis períodos de desenvolvimento econômico, com grande oferta de emprego”, defendeu o senador.

Fonte: Agência Senado