A longo desta semana, o Sintrajusc publicou textos alertando para o cenário político e as consequências depois da eleição de domingo. Para isso, não é necessária adivinhação e bola de cristal. Os dois candidatos têm programas públicos de governo. Basta ouvir/ler o que dizem suas assessorias com forte repercussão na imprensa e nas redes sociais, dentro e fora do Brasil. É importante prestar atenção, ouvir/ler e refletir. Sim, refletir sobre as “mudanças” propostas pelos dois candidatos. Querer mudança é saudável. Mas mudança para muito pior?
Mudar para ficar sem reajuste salarial por corte de orçamento? Mudar para dificultar ainda mais a luta pelo Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS)? Mudar para barrar de vez a possibilidade de conversar com o Executivo na busca de negociação coletiva e data-base? Mudar para novamente se passarem anos sem reajuste nos auxílios alimentação e saúde? Mudar para permitir a naturalização do discurso e das ações favorecendo a substituição arrasadora de nosso fazer pela Inteligência Artificial? Mudar para dia a dia testemunhar o escárnio de ministros e autoridades falando em jogar granada em nosso bolso e nos tratar como inimigos?
Corremos riscos!
O fato é que no domingo serão dois projetos em disputa: um com foco na implementação e na ampliação de políticas públicas, que passa, necessariamente, pelo fortalecimento do serviço público; outro com foco na redução do Estado via privatizações e sucateamento do serviço público. E tem coisa muito maior em jogo: a soberania da nação, os direitos e a democracia.
Neste exato momento, as big techs, aliadas do governo estadunidense de Donald Trump, interferem diretamente na disputa eleitoral. É manifesto o interesse de tomar posse de nossas riquezas, com setores locais empenhados em liquidar direitos trabalhistas, extinguir a Justiça do Trabalho e a Justiça Eleitoral, o direito à aposentadoria, o SUS.
Se eleito, Bolsonaro não terá grandes dificuldades de aprovar reformas. Seu partido, o Partido Liberal (PL), terá força expressiva no Congresso, hoje movido a base de bilionárias emendas parlamentares.
Mudar é bom, mas o passado recente grita: com Bolsonaro, é desandar.
