“Não se preocupem, vocês têm 5% ano que vem”, diz ministra


O conjunto dos servidores e até mesmo a parcela das direções sindicais que apoiaram a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) precisam se convencer de que o futuro será de mais rebaixamento salarial e perda de direitos caso não se construa uma forte campanha, nacional e unificada, que enfrente o governo e o STF – e que faça com que eles de fato ouçam a categoria. O alerta do servidor Antonio Melquíades, o Melque, dirigente do Sintrajud/SP e integrante do movimento LutaFenajufe, foi dado após a rápida cobrança de negociações que fez à ministra do Planejamento, Miriam Belchior. A responsável por uma das pastas mais poderosas do governo disse considerar o projeto de reposição salarial dos servidores do Judiciário Federal um “absurdo” e ser contra a aprovação da proposta. O eventual reajuste, afirmou, destinaria muito dinheiro para uma categoria que já recebe altos salários.
 
 
As declarações da ministra foram dadas na terça-feira, 11, logo depois da participação dela em audiência pública na Comissão Mista do Orçamento do Congresso e de coletiva concedida a jornalistas. Abordada por ele, Belchior concordou em atender ao servidor por alguns minutos, ao final da entrevista. A conversa foi observada por pessoas que acompanhavam a saída da ministra da Câmara – algumas não esconderam o espanto com a forma como a titular do Planejamento, Orçamento e Gestão respondia às indagações.
 
 
Ironias
 
 
O servidor disse a Miriam Belchior que muito tempo já se passara desde as reuniões técnicas entre o Planejamento e o Supremo Tribunal Federal, antes das eleições, quando o governo teria se comprometido a apresentar uma contraproposta para os projetos salariais do Judiciário Federal e do MPU. A ministra, que integra o núcleo duro do governo Dilma, respondeu que não havia condições de aprovar o projeto (PL 7920/2014) por conta dos valores, e que o reajuste era “um absurdo” para uma categoria com “salários tão elevados”. O servidor retrucou assinalando que são oito anos de perdas salariais acumuladas e que o impacto da proposta seria diluído ao longo dos anos, já que o STF propôs parcelá-la em seis semestres. Belchior contestou a existência de perdas salariais e ironizou o parcelamento: “Só seis semestres?”, disse, num tom que permeou as suas respostas.
 
 
A ministra disse ao dirigente sindical que já conversou com o presidente do STF sobre o assunto e se posicionou contra o reajuste. “Quando foi a última reunião com Lewandowski?”, quis saber o servidor. “Não me lembro”, respondeu Miriam Belchior. Ela revelou que pretende voltar a se reunir com o chefe do STF para tratar do assunto. Ao final da breve, porém contundente, conversa, Melque solicitou rapidez nas negociações para que o resultado desse processo não se dê após as votações do orçamento da União para 2015. Já dentro do carro oficial que a levaria embora dali, no Anexo 3 da Câmara, disparou: “Não se preocupem, vocês têm 5% no ano que vem”.
 
 
Miriam Belchior assumiu o ministério em 2011, um ano depois de um reajuste de 149% nos salários dos ministros de Estado. De acordo com o site Transparência, o salário de Miriam Belchior em setembro de 2014 foi de R$ 53.760,50, incluindo remuneração, verbas indenizatórias e jetons.
 
 
 
Editado por Sintrajufe/RS; fonte: LutaFenajufe Notícias, por Hélcio Duarte Filho.