NA MARCHA A BRASÍLIA, SERVIDORES VÃO COBRAR DO GOVERNO ABERTURA DE NEGOCIAÇÕES


Por Hélcio Duarte Filho

Os servidores públicos federais vão aproveitar a marcha dos trabalhadores que vai a Brasília no dia 24 de abril para fazer a primeira grande manifestação conjunta e específica da categoria da Campanha Salarial de 2013.  Após participarem da passeata unificada – que também reunirá trabalhadores do setor privado, estudantes e movimentos sociais -, o funcionalismo fará ato público em frente ao Ministério do Planejamento, onde vão cobrar da ministra Miriam Belchior a abertura das negociações. Os servidores querem, dentre outras reivindicações, que a data-base seja fixada em maio e que seja adotada uma política salarial permanente que reponha as perdas inflacionárias.

A coordenação que reúne 32 entidades sindicais que representam nacionalmente o funcionalismo solicita audiência com a ministra desde que protocolou a pauta de reivindicações gerais deste ano, no dia 22 de janeiro, mas até hoje não foi recebida. O protesto do funcionalismo está previsto para ocorrer a partir das 14 horas, em frente ao Bloco K da Esplanada dos Ministérios, onde fica, no sétimo andar, o gabinete da ministra. A expectativa da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), uma das entidades que organiza a marcha, é de que mais de cinco mil servidores federais estejam no protesto. Sindicatos e a federação (Fenajufe) dos trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União também estão convocando a atividade.

Jornada de Lutas

A marcha contesta projetos do governo que reduzem direitos trabalhistas e previdenciários, defende a anulação da reforma da Previdência, aumento geral de salários e o fim do fator previdenciário. Os manifestantes prometem denunciar ainda os bilhões de reais que estão saindo dos cofres públicos para construir estádios para a Copa do Mundo e que serão entregues a empresas privadas para exploração. Também organizam o ato seis confederações de trabalhadores, a Intersindical, o Movimento Terra Trabalho e Liberdade (MLT); federações e organizações populares e estudantis. A direção do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) anunciou há cerca de 20 dias a adesão à manifestação. A executiva da CUT (Central Única dos Trabalhadores), no entanto, se recusou a participar da organização, embora setores cutistas, como “A CUT Pode Mais”, estejam na coordenação da atividade.

A pretensão dos organizadores é de que a marcha parta do Estádio Mané Garrincha por volta das 8h30, rumo aos ministérios e à Praça dos Três Poderes, passando pela Catedral de Brasília, tradicional ponto de encontro das manifestações políticas na capital federal. Caso o cronograma seja cumprido, o ato conjunto terminaria entre 12h30 e 13h. Haveria, então, parada para almoço e, à tarde, os segmentos reunidos em Brasília participariam de manifestações específicas no Congresso Nacional e nos ministérios, como no caso do funcionalismo. “É uma marcha combinada com uma jornada de lutas”, explica o servidor Paulo Barela, da coordenação da CSP-Conlutas e da organização da marcha. Segundo ele, a estimativa é de que algo em torno de 20 mil pessoas participem das manifestações, mas, observa, este número pode crescer.