Movimentos sociais voltam às ruas hoje por mudanças na política econômica


Para mostrar ao governo e ao Brasil sua insatisfação, diversos movimentos sociais irão às ruas em diversas capitais brasileiras, nesta segunda-feira (25), para reivindicar mudanças na política econômica do governo Lula. Estão previstos atos e debates em Curitiba, Recife, Salvador, Brasília e Rio de Janeiro, que celebrarão também o dia nacional do trabalhador e trabalhadora rural. A mobilização desta segunda contará com militantes da Via Campesina, maior entidade internacional de trabalhadores rurais, e da Coordenação dos Movimentos Sócias (CMS), que reúne dezenas de entidades de base brasileiras, como o MST, a UNE e a CUT.
Desde antes da eclosão da crise política do “mensalão”, diversos movimentos sociais já vinham apresentando sua pauta de reivindicações por mudanças nas políticas do governo Lula. O primeiro grande ato de 2005 foi a marcha pela reforma agrária, organizada pela Via Campesina e pelo MST. Durante 17 dias, 12 mil pessoas completaram o trajeto de Goiânia à Brasília para entregar um documento que continha “10 pontos para mudar a vida do povo”.
O documento, que foi entregue ao presidente da República, defendia ações para o campo, como o cumprimento das metas do plano nacional de reforma agrária e o impedimento da entrada dos transgênicos no Brasil; para a economia, com a redução dos juros e do superávit primário para remeter os recursos gastos no pagamento da dívida para investimentos e políticas sociais; e na política, com a aprovação do projeto que cria o plebiscito popular e a criação de mecanismos de participação da sociedade organizada nas esferas do Estado.
Com o surgimento da crise, os movimentos e entidades organizadas em torno da Coordenação dos Movimentos Sociais soltaram a Carta ao Povo Brasileiro. O novo documento fazia uma análise da conjuntura condenando a ofensiva da direita e defendendo a investigação radical de todas as denúncias. O texto apontava também que a saída para a crise estava na adoção de medidas de caráter democrático popular, como uma ampla reforma política com mecanismos de participação popular, mudanças na política de alianças do governo privilegiando os movimentos organizados e não acordos no parlamento, o enfrentamento do monopólio nos meios de comunicação e a alteração radical da política econômica.
Este último ponto foi escolhido pelos movimentos como o centro da pauta manifestada na Carta aos Brasileiros pela sua importância estratégica para a realização das outras mudanças pretendidas. É a principal reivindicação dos atos desta segunda. Na capital carioca, um grupo de economistas lançam manifesto por uma nova política econômica, documento que sintetiza as mudanças reivindicadas na área comandada por Antônio Palocci e Henrique Meirelles.
O documento defende (1) a redução dos juros anuais dos 19,75% estipulados pela Selic para índices praticados nos EUA (2,5%) e o controle das taxas de juros praticadas pelos bancos, que chegam a mais de 100% ao ano; (2) a mudança da lógica do superávit primário e destinação dos R$ 80 bilhões não previstos arrecadados para políticas sociais; (3) aumento do valor do salário mínimo e das aposentadorias para R$ 454 este ano e R$ 566 em 2006; (4) bloqueio proposta de autonomia do Banco Central e auditoria na dívida externa; (5) mudança das regras de reajuste de tarifas de serviços públicos como energia, água, telecomunicações e transporte público, um dos fatores que pressiona o crescimento da inflação; e (6) proteção da riqueza nacional, com a criação de mecanismos de controle de remessa de capitais para o exterior e a paralisação das rodadas de leilões para exploração de áreas de petróleo.
Em Curitiba, estava prevista uma caminhada no Parque Barigui na parte da manhã, um ato em frente ao Ministério da Fazenda e debate com João Pedro Stédile, coordenador nacional do MST, Antônio Carlos Spis, diretor de comunicação da CUT, e Gustavo Petta, presidente da UNE. No Rio de Janeiro, um ato também em frente ao Banco Central ilustrará com um bolo de papel a desproporção de recursos destinados para a educação e saúde e para o pagamento dos juros da dívida. À noite, o manifesto dos economistas por uma nova política econômica será lançado no debate “A crise política atual e as alternativas para o poder popular”, que terá a participação do sociólogo Emir Sader, do integrante da coordenação do MST Gilmar Mauro e do presidente do Sindicato dos Economistas do Rio de Janeiro, Paulo Passarinho.
Em Salvador, integrantes do MST promovem manifestação na estrada velha do Aeroporto. Em Recife, trabalhadores rurais ligados ao MST também fazem ato em frente ao Ministério da Fazenda e se reúnem com o governador Jarbas Vasconcelos e com representantes do Incra para apresentar pauta de reivindicação para políticas em âmbito estadual. Em Brasília, estão marcados atos em frente aos ministérios das Relações Exteriores, para protestar contra as negociações na OMC, e da Fazenda. Na parte da noite, as entidades da CMS e outras organizações, como a Associação Brasileira de ONGs e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil promovem debate sobre a conjuntura e alternativas para o projeto popular.

Fonte: Agência Carta Maior (Jonas Valente)