Mortais por dois dias


A greve dos Juízes, dos dias 07 e 08 de novembro, merece o nosso apoio, integral e irrestrito, pelos mais diversos motivos: por ser justa, por se tratar de uma luta de uma categoria organizada, por se contrapor ao desrespeito do governo frente ao judiciário, ferindo a independência entre os poderes etc. e mais vistos etc…
Agora, devemos aproveitar o momento para pegá-los no contrapé, nas contradições da vida. Muitos que estufam o peito Brasil afora posando de injustiçados são os mesmos que não reconhecem o direito dos seus “subordinados” quando buscam lutar pelos mesmos direitos. Foram eles, exatamente, aqueles que cristalizaram no STF, STJ, CNJ e Tribunais Regionais posições contrárias à greve dos servidores, mandando descontar os dias parados, e são os mesmos que torcem o nariz quando o vencimento de um servidor aproxima-se dos subsídios de um juiz. E agora José?
Devemos, sim, dar todo nosso apoio e ao mesmo tempo fazer a crítica, juntar as manifestações dos injustiçados magistrados numa coletânea e autuar em apartado para que num futuro não muito distante possamos lembrá-los dos dias em que eles ficaram iguais aos subordinados – meros mortais.

Publique-se.

Robak Barros,
do grupo dos mortais da 1ª Vara do trabalho de Criciúma.