Greve dos Correios continua; índice de reajuste não repõe perdas reais


Os trabalhadores da Empresa de Correios e Telégrafos [ECT] votaram pela continuidade da greve em assembleias realizadas na última quinta-feira [17], depois de negarem a proposta da empresa de reajuste de 9% válido por dois anos e um aumento linear de R$ 100, a partir de janeiro de 2010. A empresa recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho [TST] para que determine o fim da mobilização dos trabalhadores.

O funcionário dos Correios Marcelo Barbosa diz que o acordo bianual evitaria a campanha salarial da categoria em 2010. Marcelo também critica que o IPCA – índice utilizado para o reajuste – não corresponde às perdas reais dos trabalhadores.

O índice, que no acumulado dos últimos 12 meses foi de 4,5%, é usado para medir a inflação do consumo médio de famílias que ganham de um a 40 salários-mínimos. De acordo com a Associação Paulista de Supermercados, o leite – um item básico consumido pela população de menor renda – sofreu um aumento de 78% nos últimos três meses.

“O trabalhador pensou duas vezes em entrar em greve, mas as questões objetivas, que é o grau de endividamento do trabalhador por causa da queda do poder aquisitivo e o grau de exploração, faz com que o trabalhador queira a conquista de melhor salário, ressalta Marcelo.”

O índice do Departamento de Estatística e Estudos Socioeconômicos [Dieese], órgão criado pelo movimento sindical brasileiro, registrou índice ainda menor, de 3,6%.

O maior salário entre os trabalhadores do setor operacional da empresa não ultrapassa R$ 2 mil. Já os salários dos diretores da estatal podem chegar a R$ 30 mil, segundo dados das entidades sindicais dos trabalhadores dos Correios.

Fonte: Rádio Agência NP