Governo mantém proposta e servidores preparam greve


Por Marcela Cornelli

A reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente, ocorrida na última quinta-feira (18/3), fechou a extensa agenda de atividades da semana passada dos servidores públicos federais que incluiu reuniões ampliadas, Plenária Nacional e lançamento da Campanha Salarial dos SPF’s. No seu segundo ano de mandato, o governo não tem proposta de política salarial para os servidores públicos federais, que recomponha as perdas acumuladas desde 1995 e impeça perdas futuras. O Secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, disse que no momento a intenção é priorizar as categorias que tiveram as maiores perdas nos últimos anos, com reajustes diferenciados. Essa medida, na avaliação das entidades nacionais, tem o claro objetivo de dividir o movimento unificado do conjunto do funcionalismo federal, que vem resistindo bravamente à política adotada pelo atual governo de continuidade do que foi implementado na era FHC.

A Fenajufe criticou com veemência a estratégia do governo. “O que está proposto vai deixar os servidores do Judiciário e outros setores do funcionalismo de fora de um possível reajuste”, considera Adilson Rodrigues que representou a entidade.

O governo mais uma vez não apresentou nenhuma proposta nova para pauta de reivindicações dos servidores. O seu interesse em conceder reajustes diferenciados às categorias e a possibilidade de um reajuste linear ainda menor do que os 2,67% previstos anteriormente está longe do patamar necessário. Os servidores reivindicam, de forma justa, um reajuste emergencial de 50,19% (desde 98) e a recomposição das perdas desde 1995 em 127%, de acordo com cálculos do Dieese.
Na avaliação de Waldson Silva, da Fenajufe também presente à reunião da Mesa de Negociação, “a atitude do governo é provocativa e só faz acirrar ainda mais os ânimos da categoria”. Ele reafirma que os servidores estão se dispondo a se utilizar do único instrumento de pressão, que é a greve.

Com o resultado da reunião da Mesa, a conclusão da Cnesf é que o momento é de reforçar as mobilizações e trabalhar pela construção de um movimento grevista que seja capaz de tensionar o governo em favor de suas reivindicações. As atividades desta semana ressaltaram a disposição das categorias de se manterem mobilizadas e na expectativa de um movimento mais forte. A Plenária Nacional indicou a greve para o mês de abril, mas a data será definida na próxima Plenária, que será no dia 18 de abril. Leia mais sobre a Plenária no verso deste boletim.Confira o calendário aprovado na última Plenária dos SPF’s.

CALENDÁRIO DE LUTAS

30/3 – Reunião da Mesa Nacional de Negociação e prazo limite para o governo dar sua posição sobre a pauta de reivindicações dos SPF’s;

1/4 – Lançamento da Campanha Salarial 2004 nos estados, com paralisações parciais e atos unificados;

14/4 – Paralisação de 24 horas, com atos públicos unificados nos estados;
16 e 17/4 – Plenárias setoriais e reunião ampliada da Fenajufe;

18/4 – Plenária Nacional dos SPF’s, quando será definida a data da deflagração da greve nacional.

Da Redação com informações da FENAJUFE