Em Caxias do Sul (RS), colegas das varas trabalhistas fazem críticas ao processo eletrônico


O diretor do Sintrajufe/RS Edson Moraes Borowski e o médico do trabalho e assessor de saúde do sindicato Rogério Dornelles estiveram, na tarde desta quinta-feira, 16, com os colegas da Justiça do Trabalho de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. A visita teve como principal objetivo ouvir os colegas sobre a implantação do PJe nas seis varas trabalhistas da cidade.
 
De modo geral, repetiram-se as queixas apresentadas pelos servidores de outros municípios visitados pelo sindicato. Entre as reclamações recorrentes relatadas pelos colegas de Caxias está o aumento das tarefas repetitivas, em que o uso do mouse é maior. “Só para fazer uma notificação, são necessários oito cliques, no mínimo”, exemplificou um colega da 5ª Vara. Outra queixa comum foi com relação à “burrice” do sistema, além de sua “falta de lógica”. “É uma unanimidade aqui em Caxias: o novo sistema não está funcionando, e temos que usar de jeitinho para realizar nosso trabalho”, disse um servidor, referindo-se a algumas tarefas que obrigam o funcionário a criar um processo fictício no Infor para poder gerar as guias. A perda de tempo para executar tarefas rotineiras também entrou no rol das reclamações: “Uma carta precatória, que antes eu levava cerca de cinco minutos, agora levo horas”, disse um colega da Central de Mandados. A propósito: segundo os colegas, a Central de Mandados não consegue acessar o PJe, situação confirmada por um depoimento colhido na 1ª Vara: “aqui na vara, o mandado aparece com expedido, mas temos que imprimi-lo e entregá-lo na Central, para os oficiais”.
 
“O sistema é horrível!”, desabafou uma servidora da 4ª VT, justificando que, do modo como está, o processo eletrônico é mais manual que o processo físico. “Temos que fazer os controles à parte”, disse ela.
 
De acordo com os relatos, o PJe também já está provocando desconforto físico entre os servidores. “A gente trabalha mais, ficamos imersos e, quando nos damos conta, já se passaram horas”, reclamou um colega da 6ª VT. “A gente fica muito fixo, muito tempo sentado, e com os olhos irritados”, disse. O médico Rogério Dornelles enfatizou a Campanha de Pausas do sindicato e destacou a importância delas como instrumento de proteção à saúde. Alguns colegas reclamaram também de dor nos braços, em função do uso excessivo do mouse em posição inadequada. 
 
Indagados sobre o treinamento oferecido pelo Tribunal para operar o PJe, a maioria absoluta dos colegas apontou que a capacitação durou dois dias. “Não posso considerar isso um treinamento, e sim uma mera apresentação do sistema”, falou uma colega. “Fizemos uma simulação com um caso fictício. Na vida real, estamos aprendendo meio na marra” falou a servidora. Os colegas reclamaram ainda da falta de um manual de resolução de problemas.
 
Sobre os problemas apontados pelos colegas, a juíza substituta da 1ª Vara, Daniela Floss, fez coro com os servidores. “Nossas dificuldades são as mesmas. O sistema tem muitas limitações e há muita coisa a ser melhorada”, disse a magistrada. 
 
A servidora Denise Bampi, da 5ª VT, mostrou-se satisfeita com a visita do Sintrajufe/RS: “Essa preocupação do sindicato é importante. Alguém tem que se preocupar com nossa saúde”, disse ela. “Acima de tudo, precisamos nos conscientizar da importância das pausas durante a jornada de trabalho”, concluiu.