DIAP mapeia o perfil socioeconômico da nova Câmara


Antônio Augusto de Queiroz

O DIAP, após exaustivo levantamento, mapeou o perfil sócio-econômico dos deputados eleitos em 2006. Pelo levantamento, conclui-se que a futura Câmara dos Deputados será composta predominantemente por deputados com graduação superior, com idade entre 30 a 60 anos, com experiência política anterior em cargo público, com formação em profissões liberais e fonte de renda não-assalariada. Diferentemente da conformação partidária, que pouco mudou, o perfil sócio-econômico poderá alterar o comportamento político e ideológico da nova Câmara.
Em termos de escolaridade, a futura Câmara será das mais instruídas. Pelos menos 413 (80,5%) dos 513 deputados têm curso superior completo. Em relação aos demais (100), pelo menos 37 (7,2%) têm formação superior incompleta; 51 (10%) cursaram o ensino médio e 12 (2,3%) o ensino fundamental. A julgar pelo grau de instrução, a Câmara não fica nada a dever aos parlamentos de países mais desenvolvidos culturalmente.
No quesito idade, a Câmara também pode ser vista como experiente, considerando que 493 deputados têm idade superior a 31 anos. De acordo com a faixa etária, o DIAP identificou 20 deputados com idade entre 21 e 30 anos; 229 com idade entre 31 e 50 anos; 172 com idade entre 51 e 60 anos; e 92 com idade superior a 61 anos.
Apesar da elevada renovação, da ordem de 48%, na verdade houve uma circulação no poder. Dos 244 novos deputados, assim classificados aqueles que não foram reeleitos, pelos menos 200 deles já exerceram algum mandato ou cargo público em algumas das três esferas de governo (federal, estadual ou municipal) ou em algum dos poderes Legislativo e Executivo.
Os efetivamente novos, entendidos como aqueles que nunca exerceram qualquer função pública, estão restritos a três categorias de eleitos: os comunicadores (apresentadores de TV, radialistas, artistas e cantadores), os bispos e pastores evangélicos e finalmente os parentes de políticos tradicionais.
Em termos de profissão, a categoria que lidera a composição da futura Câmara é formada por profissionais liberais. São 265 ao todo, sendo 87 advogados, 54 médicos, 47 engenheiros, 20 economistas, 15 administradores, 10 jornalistas, 6 contadores, 4 sociólogos, 3 arquitetos, 3 farmacêuticos, 3 médicos-veterinários, 2 cirurgiões-dentistas, 2 assistentes sociais, 2 historiadores, 1 fisioterapeuta, 1 psicólogo, 1 enfermeiro, 1 biomédico, 1 geógrafo, 1 geólogo e 1 representante comercial.
A segunda maior representação na Câmara é formada pelos empresários, no total de 121, distribuídos do seguinte modo: 97 urbanos, sendo 83 empresários, 11 comerciantes e três industriais, mais 24 produtores rurais, sendo 9 empresários, 8 pecuaristas, 6 agropecuaristas e 1 cacauicultor.
O terceiro grupo profissional é constituído dos assalariados urbanos, incluindo os trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público, que somam 87 deputados. Por ocupação, eles estão assim distribuídos: 32 professores, 22 servidores públicos, 9 radialistas, 5 bancários, 3 delegados, 3 policiais, 2 técnicos em edificações, 2 promotores de justiça, 1 comerciário, 1 procurador de Justiça, 1 procurador de estado, 1 gerente, 1 técnico em contabilidade, 1 inspetor de polícia, 1 analista financeiro, 1 técnico agropecuário e 1 defensor público.
O quarto grupo é constituído por operários urbanos e rurais, no total de 19, assim distribuídos: 7 metalúrgicos, 7 agricultores, 1 técnico químico, l técnico em telecomunicações, 1 técnico em artes gráficas, 1 ferroviário e 1 industriário.
O quinto e último grupo é de natureza diversa, formado 1 deputada de profissão indeterminada, 5 estudantes, 3 bispos evangélicos, 2 cantores, 2 padres, 2 sacerdotes, 2 líderes comunitários, 1 especialista em política de segurança pública, 1 atleta, 1 teólogo e 1 músico.
Regionalmente, três aspectos chamam a atenção na nova composição da Câmara. O primeiro é o fato de o PSDB, partido de perfil social-democrata, ter voltado a ser um partido paulista, onde elegeu um quarto de sua bancada. O segundo é a constatação de que o PFL também manteve concentração estadual, sendo a Bahia seu principal reduto. E terceiro é o fato de os estados com forte vocação agrícola terem elegido muitos parlamentares vinculados ao setor, fortalecendo a bancada ruralista.
A conformação ideológica da nova Câmara, a julgar pela formação e fonte de renda, tende a ser menos social-democrata e mais liberal, o que aumenta a pressão por reformas liberalizantes. A redução da bancada de trabalhadores e o aumento das bancadas de empresários e profissionais liberais, por exemplo, abrem espaço para novas tentativas de propostas em bases neoliberais, como a flexibilização da legislação trabalhista, entre outras.

Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e Diretor de Documentação do DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

Fonte: Agência Diap