Como ocorreu a morte dos três fiscais do Trabalho e um motorista em Minas Gerais


Por Janice Miranda

Três fiscais da Delegacia Regional do Trabalho de Minas Gerais e um motorista que realizavam a fiscalização de denúncias de trabalho escravo na
região noroeste de Minas Gerais foram mortos a tiros numa emboscada na manhã
de ontem, próximo à cidade de Unaí.

De acordo com a Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, o motorista Aílton Pereira de Oliveira, mesmo baleado, conseguiu fugir do local e chegar a uma estrada, onde foi socorrido. Levado até o Hospital de Base de Brasília, Oliveira não resistiu e faleceu no início da tarde.

Antes de morrer, ele descreveu a emboscada: um carro parou o veículo da equipe de fiscalização e homens fortemente armados desceram e
fuzilaram os fiscais. Erastótenes de Almeida Gonçalves, Nelson José da Silva
e João Batista Soares Lages morreram na hora.

O secretário especial para Direitos Humanos, Nilmário Miranda, membros do Ministério do Trabalho e Emprego e da polícia se dirigiram ao local, onde os corpos das vítimas ainda se encontrariam à espera de reconhecimento. Não há suspeitos do crime e não se sabe qual fazenda da
região seria fiscalizada pela equipe.

É a primeira vez que morrem fiscais do trabalho durante uma ação para apurar denúncias contra escravidão. O crime é ainda mais surpreendente por tratar-se de uma região não tão violenta como o sul do Pará, recordista de denúncias contra o trabalho escravo e de ameaças contra os fiscais, e onde a fiscalização é feita há bastante tempo.

Fonte: Rede ABRAT