Centrais lançam abaixo-assinado na luta contra reforma da Previdência


As centrais sindicais CUT, CTB, Força Sindical, Nova Central, CGTB, Intersindical e CSP-Conlutas lançam nesta quinta-feira, 4 de abril, em São Paulo, a coleta de assinaturas do abaixo-assinado contra a reforma da Previdência. Em Florianópolis, a atividade será às 15 horas no TICEN com a participação do Sintrajusc.
O abaixo-assinado será ampliado para todo o Brasil e a proposta é entregá-lo ao Congresso logo após o Dia do Trabalhador, em 1º de Maio, para mostrar aos deputados federais que o povo brasileiro não quer essa reforma. O abaixo-assinado também será disponibilizado para os sindicatos para que possam colher as assinaturas em suas bases. 
Na ocasião, também será lançada uma cartilha explicando as armadilhas da proposta do governo que, caso seja aprovada, acaba com a possibilidade de aposentadoria para milhões de brasileiros, além de reduzir o valor dos benefícios de quem já é aposentado e de quem conseguir se aposentar. 
 
Campanha de mídia
 
A direção do Sintrajusc reuniu-se na terça-feira e encaminhou uma série de ações em defesa da previdência e contra a proposta do governo. A agenda das próximas semanas está intensa. Uma das principais atividades é o lançamento da Frente em Defesa da Previdência e Audiência Pública com o senador Paulo Paim, no dia 26 de abril na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Além de participar nesta quinta do lançamento do abaixo-assinado, foi aprovado, de imediato, o seguinte:
– campanha de mídia em defesa da previdência pública, com busdoor e spot em rádio;
– agendamento de reunião com parlamentares catarinenses para pressioná-los a defender os trabalhadores.
 
Onde está o trilhão
 
A analista da dívida pública Maria Lúcia Fattorelli, economista da Auditoria Cidadã da Dívida, afirma que, em vez de buscar R$ 1 trilhão de economia na arrecadação para lançar o sistema de capitalização das aposentadorias, como quer o ministro da Economia, Paulo Guedes, por meio da reforma da Previdência, o governo federal deveria parar de remunerar as sobras de caixa dos bancos, adotando uma nova postura no Banco Central. "Em 10 anos, R$ 754 bilhões saíram do orçamento federal para remunerar a sobra de caixa dos bancos. Se corrigirmos esse valor, estará aí o trilhão que o Guedes quer', disse a analista durante ato de lançamento da Frente Parlamentar Mista da Previdência Social, dia 22 de março no Senado. 
Em vários debates, a economista tem dito, a partir de dados oficiais do governo, que os privilegiados no orçamento são na verdade os bancos, pois o sistema da dívida pública já abocanha mais de 44% do total de riquezas produzidas no Brasil. E, por meio de maquiagens contábeis, o governo continua pagando cada vez mais às instituições financeiras. 
Também a partir de números oficiais, Fatorelli mostra que não há falta de dinheiro no país, mas as reservas, contraditoriamente, não podem ser usadas em investimentos públicos pela restrição imposta pela Emenda Constitucional 95/2016, que congelou os gastos públicos por 20 anos.
Dessa forma, segundo ela, na questão da reforma da Previdência só há dois lados: o lado do povo, de todos os trabalhadores – que serão prejudicados pela reforma – e o lado dos bancos. Com informações da RBA