Sob pressão, 22 deputados já retiraram suas assinaturas da reforma administrativa; ação enfraquece PEC 38 de Hugo Motta, mas não arquiva projeto

Em duas semanas, 22 parlamentares já retiraram suas assinaturas da proposta de reforma administrativa apresentada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REP-PB), e pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ). As dificuldades da dupla para votar a proposta, que não foram poucas desde o início das discussões, têm sido agravadas graças à mobilização dos servidores e servidoras em Brasília, nos estados, nas ruas, nos gabinetes e nas redes sociais.

Na última semana de outubro, a proposta de emenda à Constituição (PEC) 38/2025 foi protocolada com 171 assinaturas, o mínimo necessário para que uma matéria desse tipo comece a tramitar. Essas assinaturas foram obtidas por Motta e Pedro Paulo após mais de vinte dias de lobby deles e de setores empresariais junto às bancadas, se considerarmos apenas o tempo desde a apresentação pública do texto. No total, desde a criação do grupo de trabalho que preparou a proposta, foram mais de cem dias.

Desde o início, ficou claro que apenas a luta dos servidores e servidoras, com apoio dos trabalhadores e trabalhadoras do setor privado, poderia impedir a aprovação da reforma. Agora, duas semanas depois do protocolo da PEC, 22 assinaturas já foram retiradas. Embora essa retirada não tenha efeito objetivo, já que a proposta já foi formalmente apresentada, mostra o desgaste político de Motta e Pedro Paulo. De qualquer forma, a retirada de tramitação da PEC ocorreria somente com a apresentação de requerimento coletivo subscrito por pelo menos 86 signatários da proposta, que precisaria ser apresentado antes da apreciação da proposta em qualquer instância.

Até agora, os deputados e deputadas por Santa Catarina que assinaram a PEC não retiraram os nomes:

Veja abaixo quem são os 22 deputados e deputadas que já retiraram suas assinaturas:

Nome Partido/UF
Rafael Prudente MDB/DF
Murilo Galdino REP/PB
Fatima Pelaes REP/AP
Duda Ramos MDB/RR
Emidinho Madeira PL/MG
Pastor Diniz UNIÃO/RR
Zé Haroldo Cathedral PSD/RR
Helena Lima MDB/RR
Marx Beltrão PP/AL
Alexandre Guimarães MDB/TO
Renilce Nicodemos MDB/PA
Henderson Pinto MDB/PA
Zucco PL/RS
Marussa Boldrin MDB/GO
Coronel Assis UNIÃO/MT
Thiago de Joaldo PP/SE
Adail Filho REP/AM
Thiago Flores REP/RO
Delegado Caveira PL/PA
Allan Garcês PP/MA
Paulinho da Força SOLIDARIEDADE/SP
Coronel Fernanda PL/MT

Após o protocolo da PEC, no dia 29 de outubro, foi realizada a Marcha a Brasília contra a Reforma Administrativa, que reuniu milhares de pessoas na capital federal, com participação do Sintrajusc, da Fenajufe e de outros sindicatos da categoria e também de servidores e servidoras das três esferas – federais, estaduais e municipais. Ao mesmo tempo, a ação intensa junto aos gabinetes apresentou aos deputados e deputadas os argumentos que demonstram como a proposta geraria prejuízos aos servidores e também aos serviços públicos.

A PEC ameaça verbas dos serviços públicos, dificulta ainda mais a realização de concursos públicos para garantir o dinheiro dos super ricos, ataca a estabilidade e alimenta assédio e perseguições. Também dificulta o recebimento de direitos ganhos na Justiça pelos servidores, achata os salários de ingresso no serviço público e traz prejuízos à carreira, com aumento dos padrões e vinculação de todas as progressões a desempenho, desmerecendo o conhecimento e a experiência adquiridos pelo tempo de serviço.

Na Pressão”: envie mensagens aos deputados para pressionar contra a reformas

Nas redes sociais, a pressão também vem crescendo. Enquete no site da Câmara tem mais de 70 mil votos sobre o tema: 96% discordam totalmente e 3% discordam na maior parte da PEC 38. Vote AQUI.

Neste momento, além das mobilizações nas ruas, como a Marcha a Brasília, é importante pressionar deputados e deputadas em todos os espaços. Por isso, a CUT criou a plataforma Na Pressão. Por ela, é possível enviar mensagens diretamente aos e-mails, redes sociais e Whatsapp dos parlamentares.

Acesse AQUI , escolha o seu estado, selecione o parlamentar e o canal e envie sua mensagem dizendo não à reforma administrativa!

Em possível manobra de Motta, proposta pode ir direito a plenário

Em entrevista ao site Congresso em Foco nesta semana, Pedro Paulo mostrou que ele e Motta não desistiram da proposta. Conforme o deputado, o presidente da Câmara já está com sua “decisão tomada”: irá enviar a reforma administrativa diretamente ao plenário da Casa, sem passar por comissões. Isso seria feito apensando o texto a outra proposta de emenda à Constituição (PEC).

“Vamos trabalhar para não ter CCJ nem comissão especial. A decisão do presidente Hugo Motta já está tomada. Há mais de 30 PECs que tratam de partes do mesmo tema. A ideia é concentrar tudo e levar direto ao plenário”, disse Pedro Paulo. O deputado admite que o objetivo seria evitar a realização de audiências sobre o tema, agilizando a tramitação para tentar aprovar a reforma o quanto antes, fugindo do calendário eleitoral do ano que vem. Ou seja, quer correr com a tramitação e impedir o debate público.

Protesto na COP30: “Serviço público forte, meio ambiente protegido: não à reforma administrativa”

Na sexta-feira, 14, a CUT, em meio à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), entidades das três esferas do serviço público e lideranças indígenas realizarão a atividade “Serviço público forte, meio ambiente protegido: não à reforma administrativa”, das 9h às 12h. O objetivo é “dizer NÃO à reforma administrativa de Hugo Motta e seu projeto de destruição dos serviços públicos”, conforme publicação nas redes sociais.

As entidades sindicais afirmam que “Estado forte é condição para a soberania e proteção ambiental”. A reforma administrativa vai na direção contrária: “fragiliza o Estado, substitui servidores concursados por vínculos precários e abre caminho para a privatização das funções públicas, inclusive nas áreas ambientais e de proteção de direitos coletivos”. A destruição do meio ambiente e os crimes ambientais e transfronteiriços são combatidos por servidoras e servidores públicos, com os povos indígenas e demais povos e comunidades tradicionais.

Na COP 30, as entidades sindicais estão cobrando do governo “uma posição firme contra a PEC 38/2025, da reforma administrativa, pois só há proteção ambiental com serviço público forte e servidor valorizado”.

Com informações do Sintrajufe-RS