Saramago e Galeano darão palestra neste sábado no Auditório Araújo Vianna


Na manhã deste sábado [29/01], a partir das 9h, no Auditório Araújo Vianna, ocorre um dos mais esperados painéis deste Fórum: “Quixote hoje: Utopia e Política”, com a participação de José Saramago [Nobel de literatura 1998], do escritor uruguaio Eduardo Galeano, do ex-diretor da Unesco Federico Mayor Zaragoza e dos jornalistas Ignácio Ramonet, do Le Monde Diplomatique, e Roberto Savio, do IPS. Segundo os organizadores do painel, a alusão a Quixote é uma metáfora comemorativa: é promovido pela Comisión IV Centenário de la Publicación de “El Quijote”, de Madri e a Fundacion Insituto de Cultura del Sur.
Entretanto, Dom Quixote de La Mancha, o clássico de Miguel de Cervantes, consagrou um cavaleiro cuja utopia tinha o sentido lúdico do não realizado – o amor projetado numa mulher idealizada, os inimigos fictícios, os moinhos da fantasia. José Saramago, contemporâneo de outros inimigos reais, propõe um novo sentido a essa utopia. Numa entrevista exclusiva à jornalista Denise Ritter, da Assessoria de Comunicação do FSM, Saramago falou:

“Se eu pudesse riscava a palavra utopia dos dicionários, mas claro não posso, não devo e nem o faria. Eu penso que nós, e há que reconhecer que os jovens são muito sensíveis à idéia da utopia, mas como toda a gente sabe, digamos, a utopia é alguma coisa que não se sabe onde está. O próprio termo está a dizê- lo: U e topos. Portanto, algo que não se sabe onde está. Que se supõe que existe mas não se sabe onde está. Repara: há uma contradição interna no conceito de utopia, sobretudo no uso que se faz dele como algo que, de repente, toda a gente diz ou diz-se muitas vezes, todos nós precisamos de uma utopia. Eu acho que não precisamos de uma utopia.

Então, quando digo que riscaria a palavra utopia e [….] se eu tivesse que substituí-la, então, enfim, substituí-lo-ía por uma palavra que já existe: esta palavra é simplesmente amanhã. É para amanhã o trabalho que hoje se faz. Portanto, coloquemos aquilo que é utopia, aquilo que é o conceito, não o coloquemos em lugar nenhum. Coloquemos no amanhã e no aqui. Porque o amanhã é a única utopia”.

Saramago também propôs uma articulação permanente do Fórum Social Mundial e propostas de ação. “As baterias têm que funcionar para pôr o motor a funcionar. Esta é a minha idéia. Teria de inventar, em Porto Alegre, enfim, algo que não fosse uma ONG, que se dilui na quantidade quase astronômica de ONGs, mas que fosse, efetivamente, que se apresentasse como um fórum de debates de idéias não simplesmente que as pessoas se encontram e vão ter idéias e ficam, enfim, contentes com isso e vão aprender algo, e comunicar algo, mas que seja mais do que isso. Que seja um instrumento para a ação”. A íntegra da entrevista de José Saramago está disponível no site http://www.forumsocialmundial.org.br – sala de imprensa – íntegra das entrevistas [para ser ouvido em MP3] ou em texto.

Também amanhã, às 15h, José Saramago e Eduardo Galeano darão entrevista coletiva à imprensa, na Sala Radamés Gnatali, dentro do Araújo Vianna.

Fonte: Boletim FSM