Greve dos bancários sofre com repressão, mas ganha força e se amplia para 22 estados


A greve nacional da categoria bancária atingiu em seu primeiro dia (6/10), 20 estados e cerca de 100 mil bancários dos 300 mil que decretaram greve na quarta-feira em todo o país. Hoje (7), a greve deve se ampliar com a adesão de Brasília e de Florianópolis que não haviam aderido no primeiro dia. Algumas cidades do interior, que haviam aprovado estado de greve também entram no movimento.
O destaque do primeiro dia de paralisação ficou por conta da intransigência dos bancos que se utilizaram da Polícia Militar para tentar abrir as agências e, em São Paulo, a PM agiu com extrema violência e dois dirigentes sindicais foram presos. Também houve incidentes no Ceará, Vitória da Conquista, Curitiba, Assis e Araraquara.
“Os banqueiros apostaram na desmobilização dos bancários e no dia de hoje (ontem) eles (os bancários) mostraram sua força e fizeram uma grande greve em todo o país. E amanhã (hoje) será ainda maior com a decisão dos bancários de Brasília, Florianópolis e alguns sindicatos do interior”, avalia Vagner Freitas, presidente da CNB/CUT.
Para ele, o Bradesco está infringindo a lei ao abusar da força policial e de medidas judiciais, como os interditos, para impedir a participação de seus funcionários na greve.

Audiência com o ministro do Trabalho

Nesta sexta-feira, a CNB/CUT vai enviar um grupo de dirigentes à Brasília para denunciar a truculência do Bradesco. Os bancários querem uma audiência com o ministro da Justiça, Márcio Tomás Bastos, e com o ministro do Trabalho, Luis Marinho.
“No Brasil inteiro os bancários estão tendo problemas com a Polícia e é só no Bradesco. Queremos estas audiências com os ministros para denunciar a ação das PMs e do banco, pois a violência está demais. A Polícia tem se utilizado de gás pimenta, cachorro e muito mais… Não queremos que aconteça com os bancários a mesma violência que houve no Rio Grande do Sul, onde um sindicalista foi covardemente morto pela Polícia”, afirmou Carlos Cordeiro, secretário-geral da CNB/CUT.
Para o sindicalista, a CNB quer tentar abrir um diálogo com os Ministérios da Justiça e do Trabalho justamente para evitar que a violência do Bradesco aumente e termine em tragédia. “Tememos porque a polícia está sendo extremamente agressiva. Semana passada foi a mesma coisa, o banco atenta contra a democracia e incita a violência. Se o banco realmente quer que os bancários encerrem a greve é simples: basta oferecer na mesa da Fenaban um reajuste digno, com aumento real e uma PLR melhor. Porque prender sindicalista, bater em bancário e jogar pimenta nos olhos dos outros é coisa de gente que não é flor que se cheire”, finalizou Cordeiro.

As reivindicações

A Fenaban ofereceu, no dia 20 de setembro, reajuste de 4% para salários, pisos e demais verbas salariais; abono de R$ 1.000 e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) nos mesmos moldes da paga no ano passado, ou seja, 80% do salário mais valor fixo de R$ 733. Os banqueiros anunciaram, ainda, que pretendem retirar a 13ª cesta-alimentação paga no ano passado.
A minuta de reivindicações entregue aos banqueiros em 11 de agosto contém 100 cláusulas econômicas e sociais (leia a íntegra). Saúde é um dos eixos de campanha e há cláusulas de prevenção, reabilitação e isonomia dos trabalhadores afastados com os da ativa. Os bancários querem reajuste salarial de 11,77%, PLR maior (um salário mais valor fixo de R$ 788 acrescidos de 5% do lucro líquido distribuídos de forma linear entre os funcionários), valorização dos pisos, garantia de emprego e novas conquistas – como o 14º salário, 13ª cesta-alimentação, proteção salarial (reajuste sempre que a inflação acumulada alcançar 3%). Dentre as cláusulas sociais, há pontos como a promoção da igualdade de oportunidades e o controle de tempo de espera nas filas. Também são reivindicados o fim da terceirização e a recontratação dos terceirizados; ampliação do horário de atendimento ao público para das 9h às 17h, com dois turnos de trabalho; medidas para coibir e combater o assédio moral; continuidade dos trabalhos da Comissão de Segurança Bancária; eleição de delegados sindicais nos locais de trabalho.
A data-base da categoria é 1º de setembro. No Brasil há cerca de 400 mil bancários. Em São Paulo, Osasco e Região são 106 mil trabalhadores distribuídos em torno de 3 mil locais de trabalho. No ano passado, os bancários receberam reajuste salarial que variou entre 8,5% e 12,77% (no piso salarial), contra uma inflação de 6,4%.

Veja abaixo o quadro de mobilização com informações recebidas pela CNB/CUT até a 22h de ontem:

Fetec São Paulo

São Paulo – Greve continua
ABC – Greve
Araraquara – GREVE
Assis – GREVE
Barretos – Greve
Bragança – Entra em Greve a partir de sexta
Bauru – GREVE
Catanduva – GREVE
Guarulhos – GREVE
Jundiaí – Greve continua
Limeira – Assembléia na sexta às 8h30, fez paralisação parcial
Mogi das Cruzes – GREVE
Taubaté – Estado de greve
Presidente Prudente – GREVE
Vale do Ribeira – GREVE

Feeb Rio de Janeiro e Espírito Santo

Rio de Janeiro – Greve continua
Espírito Santo – Greve continua
Angra dos Reis – Greve
Baixada Fluminense – GREVE
Campos – Greve continua
Macaé – Greve
Niterói – GREVE
Nova Friburgo – Greve
Petrópolis – Greve
Sul Fluminense – GREVE
Teresópolis – Greve continua
Três Rios – Greve

Feeb Rio Grande do Sul

Porto Alegre – Greve continua
Santo Ângelo – GREVE
Santa Maria – Aderiu – Greve na Caixa
Vale do Paranhana – Estado de greve

Fetec Paraná

Curitiba – Greve continua
Campo Mourão – Greve
Cornélio Procópio Estado de Greve
Londrina – GREVE
Apucarana – Greve
Arapoti – Estado de greve
Guarapuava – Estado de greve
Paranavaí – Greve
Toledo – Estado de greve
Umuarama – Não aderiu. Nova assembléia sexta

Federação da Bahia e Sergipe

Salvador – Greve continua
Feira de Santana – Greve
Irecê – Greve Continua
Itabuna – Greve
Ilhéus – Greve
Jacobina – Greve
Extremo Sul – Greve
Jequié – Greve
Vitória da Conquista – Greve continua
Sergipe – Greve continua

Fetec do Nordeste

Alagoas – Greve continua
Maranhão – Greve continua
Campina Grande – Greve continua
Cariri – Greve
Ceará – GREVE
Paraíba – GREVE
Piauí – Greve continua
Pernambuco – GREVE
Rio Grande do Norte – Greve continua

Fetraf MG

Belo Horizonte – Greve continua
Juiz de Fora – Greve continua
Governador Valadares – GREVE
Uberaba – mantém estado de greve

Feeb São Paulo e Mato Grosso do Sul

SINDICAIEEB SP MS
Andradina – Assembléias simultâneas em toda a base às 8:00h
Araçatuba – Estado de Greve
Campinas – Greve continua
Campo Grande – Greve continua
Corumbá – Não. Reavalia 10/10
Franca – Estado de greve
Guaratinguetá – Estado de greve
Jaú – Não
Lins – Greve somente na Caixa
Marília – Greve na Caixa
Naviraí – Estado de greve
Piracicaba – Greve nos privados e Nossa Caixa
Ponta Porá – Não
Pres. Venceslau – Paralisação de 1 hora nos bancos Bradesco, Itaú, Nossa Caixa, Unibanco e HSBC. Paralisações prosseguem amanhã. Nova assembléia dia 10/10.
Ribeirão Preto – Aderiu à greve
Rio Claro – Estado de greve
Santos – Greve continua
São Carlos – Estado de greve
S.J dos Campos – Greve continua
S.J do Rio Preto – Estado de greve
Sorocaba – Greve continua
Três Lagoas – Greve conti9nua
Tupã – Estado de Greve
Votuporanga – Assembléia 7/10

Federação do Centro Norte

Acre – Greve continua
Brasília – Aderiu
Cuiabá – GREVE
Roraima – NÃO
Rondônia – NÃO
Pará – Greve continua
Amapá – Greve continua
Dourados – NÃO
Mato Grosso – GREVE
Rondonópolis – ESTADO DE GREVE

Fetec SC

Chapecó – NÃO
Blumenau – NÃO
Florianópolis – Aderiu. Entra em greve a partir de sexta

Fonte: CNB/CUT – Meire Bicudo