Dia Internacional da Mulher


Porque há o direito ao grito. Então eu grito. Clarice Lispector

 

A aproximação do dia 8 de março suscita a divulgação de notícias, artigos e pesquisas sobre os avanços e recuos em relação à situação das mulheres. Recente publicação do Ministério do Trabalho e Emprego revela que as mulheres continuam a ganhar salário menor do que os homens. Segundo o levantamento, referente ao ano-base de 2006, a remuneração média de um trabalhador do sexo masculino foi de R$ 1.327,08, enquanto as mulheres receberam R$ 1.103,47, 16,8% a menos.

A diferença ocorre em quase todos os estados, com exceção do Amapá e do Distrito Federal, onde as mulheres inseridas no mercado de trabalho formal recebem salário médio um pouco maior do que os homens: + 2,7% e + 1,3% respectivamente. São Paulo foi o estado com maior diferença de salários entre os sexos, com uma média real de R$ 1.564,50 para homens e de R$ 1.259, 06 para mulheres.

Em 2000, os dados mostravam que a única atividade econômica em que a participação feminina era maior que a masculina era na Administração Pública (56,52%). Em 2006, o setor se firmou com 4.495.714 trabalhadoras, o que representa uma participação total de 58,2%. No entanto, os salários, em 2006, continuaram 28% menores.

A desigualdade de tratamento também se revela nos meios de comunicação, revela artigo de Ligia Martins de Almeida no Observatório de Imprensa. Ela se refere a dois textos, um publicado no portal UOL e outro no jornal O Estado de S. Paulo. O primeiro discute o comportamento dos jornais em relação às mulheres. O segundo fala de mulheres disputando poder. Escreve a autora:

A parcialidade das revistas de fofoca é o tema do artigo publicado no UOL, o qual, depois de enumerar vários exemplos de tratamento, diz: “Sim, as mulheres são quase que os únicos alvos de escrutínio das notícias de fofoca. Os homens com problemas pessoais são tratados com gravidade e distanciamento, enquanto mulheres nas mesmas condições são objeto de ridículo, piadas e humor negro.”

Ela também cita trecho da notícia no jornal O Estado de S. Paulo: “A autopromoção é uma estratégia útil para os homens, mas quando as mulheres ressaltam suas realizações, provocam antagonismos ou não despertam interesse. (…). Isso cria um enorme desafio para mulheres porque, quando ela é uma pessoa modesta, é considerada medíocre. Se ela procura promover suas realizações, porém, é taxada de presunçosa. Para o azar das mulheres, a liderança feminina pode ser reconhecida pela competência ou pela simpatia, mas não por ambas.”

Há muito o que avançar, portanto.