Despesas com juros devem chegar a R$ 155 bilhões em 2005


O Brasil caminha para atingir, em outubro deste ano, a marca de R$ 1 trilhão de juros da dívida pública pagos desde o início do Plano Real, em julho de 1994. Esse montante equivale a toda a geração de riquezas pelos setores industrial, de comércio, de serviços e agrícola do país em 2001, ano em que o Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país) superou a marca pela primeira vez.
Até abril, as despesas tinham sido de R$ 919,592 bilh?es, incluindo União, estados, municípios e estatais. O ano de 2005 deverá registrar também um recorde de gastos com juros, que devem subir de R$ 128 bilh?es em 2004 para R$ 155 bilh?es, de acordo com cálculos do Banco Central (BC). O motivo para o gasto maior está no aperto dos juros básicos, hoje em 19,75% ao ano, que corrigem metade do endividamento e s?o usados para cumprir a meta de inflaç?o.
As cifras s?o estratosféricas. Os gastos com juros previstos para 2005 equivalem a 25 vezes o Orçamento do programa Bolsa Família, linha de frente da política social do governo, ou a 36 vezes os recursos destinados ao setor de transportes, que significam investimento em infra-estrutura.

JURO ENGOLE 22% DA RENDA DO BRASILEIRO

O economista Márcio Pochmann, da Unicamp, calcula que, na última década, os gastos com juros equivalem a dois meses e 19 dias de salário de todos os trabalhadores brasileiros por ano. Isso corresponde a 22% da renda mensal de um brasileiro. Para quem ganha o salário-mínimo de R$ 300, equivale a R$ 66.
Existe a unanimidade de que a despesa com juros alcançou níveis insustentáveis. A discordância está em como aliviar a pressão nos cofres públicos. O Ministério da Fazenda endossa a visão de analistas de mercado e aponta a Previdência Social como o maior risco potencial para as contas públicas.

Fonte: Jornal O Globo