Coordenadores da Fenajufe debatem PCS com assessor da Presidência da República


No mesmo dia em que servidores públicos federais de várias categorias do funcionalismo participavam da Marcha Nacional em Brasília, na manhã desta terça-feira [05], os coordenadores da Fenajufe Saulo Arcangeli, Zé Oliveira e Antônio Melquíades [Melqui] se reuniram com o assessor da Secretaria Geral da Presidência da República, José Carlos Feijóo. No encontro, que teve início pouco depois das 10h e quando os mais de 15 mil servidores saíam em caminhada da Catedral de Brasília rumo à Esplanada dos Ministérios, no Palácio do Planalto os dirigentes da Federação pediram informações sobre como andam as conversas em torno dos PLs 6613/09 e 6697/09, que revisam os Planos de Cargos e Salários da categoria. “Fomos cobrar do governo as negociações da nossa revisão salarial com o STF”, explica Zé Oliveira.

No início da reunião, os coordenadores da Fenajufe fizeram um histórico desde a aprovação do atual PCS, em 2006, passando pelo processo que levou à elaboração das propostas, até a greve, em 2009, que garantiu o envio dos projetos ao Congresso Nacional. De lá para cá a categoria já realizou cinco greves em nível nacional, mas até agora os PLs estão parados na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara devido à postura do governo em não negociar um acordo com as cúpulas do Judiciário e do MPU para votar a revisão salarial.

Os coordenadores da Fenajufe também lembraram que em 2010 o então presidente Lula havia garantido que negociaria o PCS com o ministro Cezar Peluso, à época presidente do STF, o que acabou não ocorrendo. “Explicamos que em 2011 foi a mesma coisa, quando o governo garantiu, no final dos trabalhos do Legislativo durante a votação da LOA de 2012, que abriria o diálogo logo no início deste ano e, mais uma vez, isso não aconteceu”, afirma Saulo Arcangeli.

Demonstrando não estar totalmente informado do debate sobre o PCS, o assessor do Palácio do Planalto registrou que se estiver ocorrendo alguma tratativa do governo com o Judiciário Federal isso ainda não está se dando no âmbito da Secretaria Geral da Presidência da República. Ele acredita, no entanto, que o diálogo pode estar ocorrendo na Secretaria de Relação Institucionais, cuja titular é a ministra Ideli Salvatti, com quem ele se comprometeu a pautar o assunto. Como encaminhamento da reunião, ele também garantiu que vai mediar uma reunião da Fenajufe com a ministra de Relações Institucionais da Presidência.

Para Zé Oliveira, essa é mais uma reunião da Fenajufe com um representante do governo que aponta ainda não haver nada garantido em relação às negociações entre os poderes. “Embora o assessor da Presidência tenha se comprometido a levar o assunto à ministra Ideli e até mesmo a tentar agendar uma reunião nossa com ela, sua fala demonstra que ainda não há um processo negocial efetivo. Isso só reforça a necessidade da categoria se manter mobilizada”, avalia Zé.

A mesma avaliação tem Saulo Arcangeli, para quem a greve deve ser construída e deflagrada em todo o país nos próximos dias. “Até o dia 18 de junho várias categorias do funcionalismo estarão em greve. E o Judiciário e o MPU não podem ficar fora desse movimento unificado. Diante da falta de uma negociação efetiva, conforme demonstrou o assessor do Palácio do Planalto, não nos resta outra alternativa que irmos para a greve em todo o país, junto com os demais federais”, enfatiza Saulo.

Conversa com Valdir Raupp
O coordenador Melqui informa que ainda nesta terça-feira, a Fenajufe conversou com o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp, de quem a Federação cobrou a audiência que ele ficou de agendar com o vice-presidente da República Michel Temer. “O vice-presidente fez um apelo para permitirmos a votação da LOA de 2012, se comprometendo a intermediar as negociações acerca dos PL 6613/09 e 6697/09 junto à presidente Dilma. Meses se passaram a nada de efetivo aconteceu. Temos que construir a mobilizações fortes para obrigar o governo a definir as negociações entre o Poder Judiciário e o MPU antes das eleições”, afirma Melqui. De acordo com o coordenador da Fenajufe, Valdir Raupp ficou de dar um retorno à Federação sobre uma possível conversa com Temer.