Aumento no auxílio-alimentação pelo governo é irrisório


Por Janice Miranda

O auxílio-alimentação dos servidores federais poderá aumentar em até 33% e o plano de saúde poderá ser estendido aos cerca de 600 mil que não o têm. Estas são duas das três propostas a serem apresentadas pelo governo aos representantes dos servidores federais na próxima reunião da Mesa Nacional de Negociação. A terceira é o aumento do auxílio-creche, concedido apenas aos funcionários que têm filhos de até 7 anos.

Com o aumento do auxílio-alimentação, os que trabalham em Brasília e ganham em média R$ 120 de benefício passariam a receber R$ 159. A verba a ser utilizada para o aumento está prevista na rubrica do Orçamento Geral da União destinada à melhoria dos benefícios, num total de R$ 294 milhões. Esse valor, no entanto, poderá ser reforçado com parte dos recursos destinados à reestruturação das carreiras e ao reajuste linear.

Saúde – Em relação à saúde suplementar, a idéia do governo é conceder o benefício para quem não o tem e impor regras para os contratos firmados entre os órgãos e administradora dos planos. “Hoje é uma anarquia total, pois cada órgão faz da maneira que quer”, diz Vladimir Nepomuceno, diretor de programas da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento.

Enquanto alguns órgãos entram com uma contrapartida de R$ 27 (por servidor) pelo plano de saúde, outros pagam até R$ 50. “Queremos acabar com isso. A proposta é estender a contrapartida para quem não tem e buscar igualar o valor de contrapartida para todos”, explica Nepomuceno.

A Geap, plano utilizado pela maioria dos 1,1 milhão de servidores, sai por R$ 35 para o governo, valor que deverá ser usado como base de nivelamento. Os órgãos, no entanto, não serão obrigados a aderir à Geap como plano para os seus funcionários. O governo também quer que os planos cubram despesas com exame admissional.

Salário – Para os servidores, as propostas não avançam em nada as negociações. “Esse plano de saúde já estava em pauta e o aumento no auxílio-alimentação é irrisório. Isso não pode ser utilizado como base para hora extra, 13º salário e férias”, reclama Caio Teixeira, um dos representantes da Coordenação Nacional das Entidades de ServidoresFederais (Cenesf).

Segundo ele, para a concessão de um reajuste razoável o governo precisaria dispor de R$ 10 bilhões ou R$ 15 bilhões. “O que nós queremos é salário. O governo nos deve um reajuste de 127% e, se não for apresentada uma proposta decente, vamos apelar para a greve”, ameaça.

Os itens só serão levados aos representantes dos servidores no dia 19 de fevereiro. No último encontro, foram apresentados os seguintes valores disponíveis no Orçamento: R$ 1,5 bilhão para reajuste linear, R$ 294 milhões para benefícios, R$ 194 milhões para reestruturação de carreiras e R$ 194 milhões para concurso.

Fonte: Jornal de Brasília