Ato em Brasília: Justiça do Trabalho não é jabuticaba e nem tem que dar lucro

Centenas de pessoas lotaram o auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília, na tarde desta terça-feira (5), para defender a Justiça do Trabalho, os direitos sociais e repudiar as ameaças de extinção que pairam sobre esse ramo do Poder Judiciário no Brasil. Pelo Sintrajusc participaram Paulo Koinski, Adriana Ramos, Vilson Medeiros e Alexandre Lapagesse.

O ato começou pouco antes das 15 horas, uma hora após o previsto. Dezenas de entidades estiveram representadas, entre sindicatos de servidores, federações, associações de magistrados, advogados, juízes e procuradores. Diversos sindicatos de servidores do Judiciário Federal e do MPU participaram da atividade.

O ato foi organizado pela Anamatra (Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho), em parceria com a Fenajufe (Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do MPU), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a Abrat (Associação Brasileira dos Advogados do Trabalho) e a ANPT (Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho).

A manifestação foi aberta pelo presidente da Anamatra, juiz Guilherme Feliciano, que disse que os ataques à Justiça do Trabalho não começaram em 2019, mas a reação dos que não admitem esse retrocesso na sociedade brasileira impediu que ela sucumbisse. “A Justiça do Trabalho não é uma jabuticaba brasileira, como dizem alguns”, disse, numa referência ao vice-presidente, general Hamilton Mourão, e a outros integrantes do governo, que vêm afirmando que este ramo do Judiciário só existe no Brasil – entre eles o próprio mandatário da República.

O magistrado citou uma série de países onde a justiça especializada para as relações trabalhistas existe: a França, a Dinamarca, a Alemanha e Grã-Bretanha, entre outros. Guilherme Feliciano também afirmou que a Justiça do Trabalho não é uma empresa que precise dar lucro nem gerar excedentes financeiros para a União, citando outras instituições, como as Forças Armadas e o parlamento, que são necessárias ao país, mas não geram lucros.

As primeiras falas do ato também foram marcadas pela defesa dos direitos sociais e críticas à reforma trabalhista. O fim do Ministério do Trabalho, levado a cabo pelo governo Bolsonaro, foi outro aspecto criticado. Desde que o presidente disse, em entrevista ao SBT, três dias após tomar posse, que, “se houver clima”, irá propor a extinção da Justiça do Trabalho, várias manifestações têm ocorrido contra essa ameaça. No dia 21 de janeiro, na volta do recesso judiciário, foram realizados atos em 34 cidades brasileiras, segundo levantamento da AAT-SP (a Associação dos Advogados Trabalhistas).

Hélcio Duarte Filho (Sintrajud) com edição do Sintrajusc