O Sintrajusc tem recebido questionamentos sobre a paralisação marcada para o dia 3 de julho e considera importante dar as respostas necessárias. A motivação e a participação de todos e de todas são fundamentais para o sucesso da mobilização.
Em primeiro lugar, há quem tema que a opinião pública não esteja ao nosso lado por conta das notícias frequentes sobre os chamados “altos salários” no Judiciário. Na verdade, ela nunca esteve. É essencial que compreendamos — e que ajudemos a população a entender — que esses salários referem-se, quase exclusivamente, à magistratura, com seus “penduricalhos” e verbas indenizatórias muitas vezes excessivas. Isso, além de gerar distorções, tem contribuído para a degradação da imagem do próprio Poder Judiciário.
Nossa carreira, ao contrário, sempre teve seu prestígio atrelado à qualidade do serviço prestado — qualidade essa que está diretamente ligada à valorização salarial conquistada ao longo de anos de luta sindical, com destaque para o papel da Fenajufe e dos sindicatos a ela afiliados.
O que temos visto nos últimos anos é uma apropriação cada vez maior do orçamento do PJU pelas cúpulas, aprofundando desigualdades e esvaziando a força de trabalho que sustenta a Justiça no dia a dia.
Outro ponto que tem gerado acomodação em alguns colegas é a recente publicação da ata da Coordenação do Fórum de Carreira do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que propõe:
– Aumento da GAJ de 140% para 165% do vencimento básico, com acréscimo de 5% neste;
– E possibilidade de equalização das tabelas salariais a partir de 2027.
A Fenajufe, ouvindo seus coletivos, manifestou discordância quanto a esse prazo, defendendo que tal medida deva vigorar já em 2026.
É compreensível que muitos vejam com bons olhos esses encaminhamentos. Mas é um erro grave acreditar que tais conquistas virão espontaneamente, sem pressão ou mobilização.
Lembremos que até mesmo o Adicional de Qualificação — projeto de interesse da própria direção do CNJ — só avançou por conta da nossa luta organizada. E mesmo esse ainda não está garantido: precisa passar pelo Legislativo e pelo crivo do Executivo.
Muito mais árduo será o caminho do Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) e do reajuste efetivo que reivindicamos. O projeto sequer foi oficialmente abraçado pelo CNJ — nasceu de uma comissão formada majoritariamente por representantes sindicais.
Sem pressão, não teremos avanço algum.
E ainda aos que defendem (com razão) a necessidade de institucionalizarmos uma data-base, vale lembrar que essa conquista depende diretamente da equalização e valorização que estamos buscando agora.
Por tudo isso, este é um momento decisivo para a estruturação da nossa carreira e a consolidação de mecanismos que garantam salários dignos — e é bom lembrar: dignos, não privilegiados.
Não somos marajás com supersalários. Somos trabalhadores públicos, sustentáculos da máquina judiciária, e lutamos por reconhecimento justo e valorização compatível com a responsabilidade das nossas funções.
Deixemos de lado a timidez, as divisões infundadas e, por vezes, as más-fés que nos fragmentam. Unamo-nos neste 3 de julho em um dia de paralisação legítimo e necessário para toda a categoria.
